A Controvérsia das "Órbitas Oculares"
O design da 720S, liderado por Rob Melville e Frank Stephenson, rompeu radicalmente com a
linguagem visual dos modelos anteriores. A característica mais polarizadora no
lançamento foi a ausência de faróis convencionais. No seu lugar, a McLaren introduziu o
que chamou de "órbitas oculares" — grandes cavidades escuras na fáscia frontal.
Esta decisão não foi estética, mas puramente funcional. Dentro dessas cavidades, não
residem apenas os faróis de LED adaptativos, mas também dutos de ar críticos que
canalizam o fluxo de ar para os radiadores de baixa temperatura (Low Temperature
Radiators - LTRs). Esta solução permitiu que a frente do carro permanecesse baixa e
agressiva, melhorando a visibilidade do motorista, ao mesmo tempo que resolvia as
necessidades térmicas de um motor significativamente mais potente.
As Portas de Parede Dupla
Talvez a inovação mais significativa do design da 720S seja a ausência das grandes
entradas de ar laterais, que eram uma assinatura visual de quase todos os supercarros de
motor central desde os anos 1980. A McLaren conseguiu eliminar essas aberturas visíveis
através da criação de portas de "parede dupla" ou "pele dupla".
O ar rápido e turbulento que sai das rodas dianteiras e passa pela coluna A é capturado
por um canal escondido dentro da própria estrutura da porta. Este canal acelera o fluxo
de ar e o direciona diretamente para os radiadores de alta temperatura (High Temperature
Radiators - HTRs) montados à frente das rodas traseiras. Segundo a McLaren, esta solução
melhorou a eficiência de resfriamento em 15% em comparação com o modelo 650S, ao mesmo
tempo que aumentou o downforce (pressão aerodinâmica descendente) geral do veículo. O
design é biomimético, inspirado na eficiência hidrodinâmica do Grande Tubarão Branco,
resultando numa forma orgânica, fluida e livre de apêndices desnecessários.
Aerodinâmica Ativa
A traseira do veículo é dominada por uma asa ativa de largura total, que opera em
harmonia com o restante da carroceria. Esta asa não serve apenas para gerar pressão
aerodinâmica em curvas de alta velocidade. Ela possui três funções principais operadas
automaticamente pelo software do veículo:
- Driver Downforce: A asa se ajusta para fornecer a aderência
necessária dependendo da velocidade e modo de condução (70% a 80% de implantação em
curvas).
- DRS (Drag Reduction System): Em retas de alta velocidade, a asa se
achata para reduzir o arrasto e permitir que o carro atinja sua velocidade máxima de
341 km/h.
- Airbrake (Freio Aerodinâmico): Em frenagens fortes, a asa se ergue
totalmente em menos de meio segundo, agindo como um paraquedas aerodinâmico. Isso
não apenas ajuda a desacelerar o carro através do arrasto, mas também desloca o
centro de pressão aerodinâmica para a traseira, mantendo o eixo traseiro plantado no
chão e permitindo uma força de frenagem maior nos freios dianteiros sem perder
estabilidade.