Series 1
(1995 - 1998)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo GTV.
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(1995 - 1998)
(1998 - 2003)
(2003 - 2005)
No final da década de 1980, a Alfa Romeo passava por um momento de transição crucial após ser adquirida pelo Grupo Fiat em 1986. Sob a liderança do então CEO da Fiat, Vittorio Ghidella, iniciou-se o projeto de desenvolvimento do modelo Type 916. O objetivo do novo chassi era claro: restabelecer a imagem puramente esportiva da marca italiana no mercado de cupês. Esse esforço conjunto resultou no desenvolvimento em paralelo de dois modelos: o Alfa Romeo GTV (Gran Turismo Veloce), um cupê com configuração de assentos 2+2, e o seu irmão conversível de dois lugares, o Spider.
Ambos os modelos foram desenhados pelo estilista Enrico Fumia, do renomado estúdio Pininfarina. Os esboços iniciais começaram em setembro de 1987, e o modelo de argila em tamanho real foi aprovado em julho de 1988. Embora o exterior do carro tenha sido mantido fiel ao projeto de Fumia, o desenho inicial do interior foi rejeitado pela diretoria da Fiat. Diante disso, o Centro Stile Alfa Romeo, sob a liderança do designer Walter de Silva, assumiu a responsabilidade de finalizar os detalhes estéticos da cabine e refinar os elementos externos de acabamento. Muitas das linhas finais do modelo foram inspiradas diretamente no carro-conceito Alfa Romeo Proteo, apresentado no Salão de Genebra em 1991, do qual herdou a icônica frente baixa com faróis redondos duplos embutidos.
Após anos de testes e ajustes na linha de produção, o modelo final do GTV foi apresentado oficialmente no Salão de Paris em outubro de 1994, com as vendas globais se iniciando logo após o Salão de Genebra em março de 1995.
O Alfa Romeo GTV utilizava como base uma versão fortemente modificada da plataforma de tração dianteira "Tipo Due" (Type 2) do Grupo Fiat. Embora compartilhasse os componentes da suspensão dianteira McPherson e a transmissão básica com o sedã Alfa Romeo 155 de 1992, o comportamento dinâmico do modelo foi transformado pela introdução de uma inovadora suspensão traseira independente multilink.
Esse sistema traseiro foi projetado pelo engenheiro Gianclaudio Travaglio sob a supervisão do engenheiro-chefe Bruno Cena. A decisão de adotar uma engenharia tão refinada partiu do novo CEO da Fiat Auto, Paolo Cantarella, que em 1990 exigiu um projeto "sem concessões" após testar os protótipos originais. A suspensão era montada sobre um subchassi de liga leve de alumínio fixado diretamente ao chassi de aço do carro.
A grande inovação dessa geometria era o efeito de esterço passivo das rodas traseiras. Graças ao desenho dos braços quadrilaterais e à deformação programada das buchas de fixação, as rodas traseiras alteravam ligeiramente sua convergência de acordo com a força lateral nas curvas:
Essa solução eliminou a tendência crônica de subesterço (saída de frente) comum em plataformas de tração dianteira da época, fazendo com que o chassi do GTV respondesse de forma ágil e precisa, simulando o equilíbrio dinâmico de carros esportivos de tração traseira.
Ao longo de seus dez anos de comercialização ativa, o Alfa Romeo GTV passou por três fases distintas de atualização estilística e técnica para se manter moderno e em conformidade com as legislações de emissões de poluentes europeias.
Os primeiros modelos da Fase 1 caracterizavam-se por um visual limpo e purista, ostentando o escudo dianteiro ("Scudetto") integrado ao capô em plástico preto sem moldura cromada, e saias laterais que circundavam a base do carro pintadas em preto fosco. O painel de instrumentos adotava instrumentos analógicos clássicos profundamente embutidos em cilindros individuais voltados diretamente para a visão do motorista.
Em meados de 1996, iniciou-se uma transição técnica conhecida como Fase 1b. O modelo GTV passou a disponibilizar o motor 3.0 V6 de 24 válvulas. Para comportar o aumento de potência e os freios Brembo redimensionados com discos de 305 mm e pinças vermelhas de quatro pistões, o carro passou a ser equipado com rodas de liga leve de 16 polegadas do tipo "Teledial" (cinco furos circulares). Internamente, o acabamento foi aprimorado com bancos de couro plissado da grife MOMO nas cores vermelha, branca ou bronzeada, com revestimentos de porta e carpetes coordenados. O console central substituiu os botões redondos de ventilação por seletores retangulares e introduziu um volante esportivo de três raios.
Apresentada em maio de 1998, a Fase 2 focou na modernização da cabine e em refinamentos estéticos. O exterior do carro adotou o escudo dianteiro com moldura cromada polida e as saias laterais passaram a ser pintadas na mesma cor da carroceria.
A cabine recebeu um console central inteiramente redesenhado com acabamento prateado imitando alumínio acetinado, além de novos mostradores e comandos de climatização. A marca disponibilizou os pacotes de estilo interno "Red Style" (painel centralizado em vermelho com bancos vermelhos ou pretos) e "Blue Style" (bancos, painel e carpetes totalmente em azul ou branco coordenados). Mecanicamente, os propulsores foram adaptados para atender às normas ambientais Euro 2 (série de gerenciamento eletrônico CF2). O motor 3.0 V6 24V ganhou uma nova transmissão manual de seis velocidades. No ano 2000, para otimizar custos operacionais, o Grupo Fiat transferiu a linha de montagem final do GTV de sua antiga fábrica de Arese, em Milão, para as instalações especializadas da Pininfarina em San Giorgio Canavese.
A Fase 3 foi a atualização mais radical aplicada ao modelo, também projetada diretamente pelo estúdio Pininfarina. A dianteira do veículo foi reestilizada para incorporar o novo padrão visual da Alfa Romeo, adotando um escudo cromado central muito maior e mais profundo que se estendia até a base inferior do para-choque, o que forçou o deslocamento da placa de sinalização para a lateral esquerda.
Internamente, foram instalados bancos com base ligeiramente rebaixada e o console central recebeu um leve reposicionamento de botões. O envelhecido motor de quatro cilindros Twin Spark foi substituído pelo moderno motor JTS com injeção direta de combustível. No topo da gama, o motor 3.0 V6 24V foi descontinuado para dar lugar ao propulsor 3.2 V6 de 240 PS. A produção em série do modelo foi encerrada no final de 2004, embora unidades em estoque tenham continuado a ser comercializadas até meados de 2006.
Os motores de quatro cilindros em linha que equipavam o Alfa Romeo GTV eram construídos na fábrica de Pratola Serra, enquanto os motores V6 de seis cilindros eram usinados na icônica fábrica de Arese.
O sistema de ignição "Twin Spark" (dupla centelha) utilizava duas velas de ignição de tamanhos diferentes por cilindro em posições assimétricas. Esse sistema gerava uma queima extremamente uniforme do combustível através de quatro bobinas estáticas individuais operando sob o princípio de faísca perdida. O motor 2.0 Twin Spark contava com dois eixos balanceadores internos acionados por correia para neutralizar as vibrações de segunda ordem do motor, garantindo um funcionamento suave e silencioso semelhante ao de motores de maior cilindrada. Em contrapartida, o motor 1.8 Twin Spark abria mão desses eixos para reduzir a massa interna móvel e favorecer respostas rápidas ao acelerador.
O propulsor 2.0 JTS (Jet Thrust Stoichiometric), que estreou na Fase 3, abandonou a tecnologia Twin Spark e adotou uma única vela convencional por cilindro combinada a um sistema de injeção direta de combustível sob alta pressão diretamente na câmara de combustão, o que otimizava sensivelmente o consumo de combustível e elevava o torque disponível em regimes de baixa rotação.
O lendário motor V6 de 60 graus, projetado por Giuseppe Busso, possuía bloco de alumínio fundido, refrigeração líquida e dutos de admissão polidos e cromados na parte frontal do motor.
O motor 2.0 V6 Turbo (TB) foi projetado sob medida para o mercado italiano a fim de burlar a severa tributação de 38% sobre carros equipados com motores acima de 2,0 litros. Os engenheiros da Alfa Romeo reduziram o diâmetro dos cilindros do bloco V6 e instalaram um turbocompressor Garrett T25 com intercooler, conseguindo extrair excelentes 200 PS de potência e respostas viscerais através de um sistema eletrônico de aumento temporário de pressão do turbo (overboost).
Os motores 3.0 e 3.2 de 24 válvulas contavam com duplo comando de válvulas nos cabeçotes (DOHC) acionados por correia dentada reforçada e apresentavam um comportamento dinâmico de torque linear e sonoridade metálica marcante em rotações elevadas.
Abaixo estão descritas as especificações técnicas oficiais de desempenho e economia para cada motorização que equipou o Alfa Romeo GTV:
| Motor | Fase de Uso | Código do Motor | Potência Máxima | Torque Máximo | Aceleração (0–100 km/h) | Velocidade Máxima | Consumo Médio (L/100 km) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.8 TS 16V | Fase 2 | AR 32201 | 144 PS @ 6.500 rpm | 169 Nm @ 3.500 rpm | 9,2 s | 210 km/h | 8,9 L |
| 2.0 TS 16V (Euro 1) | Fase 1 | AR 16201 | 150 PS @ 6.200 rpm | 186 Nm @ 4.000 rpm | 8,4 s | 215 km/h | 9,2 L |
| 2.0 TS 16V (Euro 2) | Fase 2 | AR 32301 | 155 PS @ 6.400 rpm | 187 Nm @ 3.500 rpm | 8,4 s | 216 km/h | 9,2 L |
| 2.0 TS 16V (Euro 3) | Fase 2 | AR 32310 | 150 PS @ 6.300 rpm | 181 Nm @ 3.800 rpm | 8,5 s | 215 km/h | 9,2 L |
| 2.0 JTS 16V | Fase 3 | 937A1000 | 165 PS @ 6.400 rpm | 206 Nm @ 3.250 rpm | 8,4 s | 220 km/h | 9,2 L |
| 2.0 V6 Turbo | F1 / F2 | AR 16202 | 200 PS @ 6.000 rpm | 271 Nm @ 2.400 rpm | 7,4 s | 235 km/h | 10,8 L |
| 3.0 V6 12V | Fase 1 | AR 16101 | 192 PS @ 5.600 rpm | 260 Nm @ 4.400 rpm | 7,3 s | 225 km/h | 11,0 L |
| 3.0 V6 24V (Euro 2) | F1b / F2 | AR 16102 | 220 PS @ 6.300 rpm | 270 Nm @ 5.000 rpm | 6,7 s | 240 km/h | 11,7 L |
| 3.0 V6 24V (Euro 3) | Fase 2 | AR 16105 | 218 PS @ 6.300 rpm | 265 Nm @ 5.000 rpm | 6,8 s | 238 km/h | 11,7 L |
| 3.2 V6 24V | Fase 3 | 936A6000 | 240 PS @ 6.200 rpm | 289 Nm @ 4.800 rpm | 6,3 s | 255 km/h | 13,2 L |
Para celebrar o campeonato de corrida monomarca idealizado pela marca em 1999 sob a supervisão do piloto Andrea de Adamich no circuito de Varano — no qual os pilotos recebiam instruções avançadas de pilotagem a bordo de carros GTV de corrida com motores V6 preparados de 230 PS, sem catalisadores e cerca de 200 kg mais leves —, a Alfa Romeo lançou no mercado de rua o GTV Cup em 2001.
Esta série de rua foi limitada mundialmente a apenas 419 unidades e trazia modificações estéticas marcantes inspiradas nas pistas. Por fora, o carro adotava saias de ar laterais com extratores atrás dos para-lamas dianteiros, saias laterais, um aerofólio traseiro de perfil pronunciado fornecido pela empresa alemã Zender e rodas de 17 polegadas exclusivas com acabamento cinza titânio. O interior trazia consoles com pintura em titânio metálico, bancos esportivos em couro preto e tecido texturizado cinza-claro, freios Brembo redimensionados instalados de fábrica e uma placa numerada de controle individual.
O modelo foi fabricado sob duas opções de motores e configurações distintas de direção:
| Motorização Cup | Posição de Direção / Mercado | Cor da Carroceria | Detalhes Específicos | Unidades Produzidas |
|---|---|---|---|---|
| 3.0 V6 24V | Direita (RHD) / Reino Unido | Vermelho Alfa (Rosso Alfa 130) | Câmbio de 6 marchas, freios Brembo de série | 155 |
| 3.0 V6 24V | Esquerda (LHD) / Europa Geral | Vermelho Alfa (Rosso Alfa 130) | Câmbio de 6 marchas, freios Brembo de série | 25 |
| 2.0 Twin Spark | Esquerda (LHD) / Europa e Itália | Cinza Claro Metálico (Grigio Chiaro) | Freios Brembo adicionados de fábrica | 239 |
A história da importação do GTV no mercado automotivo brasileiro esteve atrelada à política de reabertura das importações promovida pelo governo nacional em 1990. Após quase vinte anos de fechamento comercial, o desembarque do luxuoso sedã Alfa Romeo 164 marcou o retorno oficial das operações da marca italiana no país.
Posteriormente, na metade dos anos 1990, tanto a própria importadora oficial da Fiat quanto pequenas importadoras independentes iniciaram a vinda de lotes limitados dos modelos esportivos GTV e Spider Type 916 para o mercado brasileiro. Embora os volumes de vendas tenham sido pequenos devido ao custo de importação, o modelo gozou de excelente aceitação entre os entusiastas de carros esportivos clássicos, com preferência quase que absoluta pelas versões com motores Twin Spark e V6 de 24 válvulas.
A relevância do mercado sul-americano para a Alfa Romeo motivou a criação de um catálogo oficial de exportação exclusivo para o mercado brasileiro na metade da década de 1990, identificado sob o código 163.628.0.0 – Spider 3.0 V6 12V Lusso Brasile. Entre os anos de 1995 e 1996, a fábrica italiana produziu exatamente 238 unidades desta configuração conversível específica voltada para atender às conformidades ambientais e ao combustível do mercado nacional brasileiro, tornando este modelo uma das versões clássicas de exportação mais raras do projeto Type 916.
Abaixo estão listados os números totais auditados e corrigidos de produção do Alfa Romeo GTV (Coupé) e do Spider (Conversível), classificados de acordo com a motorização específica e fases do ciclo produtivo, evidenciando o volume geral de cada catálogo industrial ao longo dos anos:
TOTAL PRODUZIDO GTV (COUPÉ): 42.935 unidades
TOTAL PRODUZIDO SPIDER (ROADSTER): 38.893 unidades
O Alfa Romeo GTV (Type 916) representa um dos projetos de engenharia e estilo mais inspirados da história moderna da fabricante italiana. Apesar dos desafios iniciais para adaptar o chassi de tração dianteira a um nível digno de esportivos de alto padrão, a inclusão da avançada suspensão traseira multilink com esterço passivo, concebida sob os parâmetros exigentes de Paolo Cantarella e executada com precisão por Gianclaudio Travaglio, conferiu ao GTV uma dinâmica excepcional no contorno de curvas.
A evolução visual promovida pelas três fases distintas manteve a estética agressiva do modelo atraente ao longo de dez anos de produção contínua, enquanto as refinadas mecânicas Twin Spark, JTS e os célebres motores V6 Busso entregaram um desempenho digno da rica herança esportiva da Alfa Romeo. Atualmente, edições especiais raras como o GTV Cup e os exemplares de exportação específicos para o mercado brasileiro são altamente reverenciados no meio colecionável automotivo global, confirmando o legado atemporal do Type 916 como uma verdadeira obra de arte sobre rodas da indústria italiana.