Series 1
(2008 - 2013)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo MiTo.
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(2008 - 2013)
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(2016 - 2018)
A estreia da Alfa Romeo no segmento de compactos premium ocorreu em 2008 com o lançamento do Alfa Romeo MiTo, conhecido internamente como Tipo 955. O modelo foi desenvolvido com a missão de atrair consumidores mais jovens e expandir o volume de vendas da fabricante italiana, posicionando-se como uma alternativa estilosa e sofisticada em relação ao MINI Cooper. Durante a fase de gestação do projeto, o veículo era chamado de "Junior". Em 2007, a marca promoveu um concurso europeu para escolher o nome definitivo da novidade. A denominação vencedora do voto popular foi "Furiosa", mas a diretoria da fabricante optou por batizar o hatch de MiTo. Este nome é uma combinação das primeiras letras das cidades de Milão (Milano), onde o estilo foi desenhado, e Turim (Torino), local de sua fabricação. Coincidentemente, a palavra mito significa "lenda" em italiano.
O desenho do modelo, assinado pelo projetista Juan Manuel Diaz no Centro Stile Alfa Romeo, buscou forte inspiração nas linhas fluidas do superesportivo de tiragem limitada Alfa Romeo 8C Competizione. Essa herança visual manifestava-se no formato arredondado dos faróis dianteiros, nas portas que dispensavam molduras para os vidros laterais e nas lanternas traseiras circulares iluminadas por LEDs. O compacto exibia uma postura esportiva e musculosa, com dimensões que totalizavam 4.063 mm de comprimento, 1.721 mm de largura, 1.446 mm de altura e um entre-eixos de 2.511 mm. O porta-malas oferecia uma capacidade volumétrica inicial de 250 litros.
O MiTo foi estruturado sobre a plataforma SCCS (Small Common Components and Systems), uma arquitetura modular compartilhada com o Fiat Grande Punto e o Opel Corsa D. Contudo, para entregar o comportamento ágil exigido pelos clientes da Alfa Romeo, a engenharia aplicou modificações profundas no conjunto. As bitolas dianteira e traseira foram alargadas em 10 mm e a altura de rodagem foi rebaixada em comparação com o Punto. A suspensão utilizava a tradicional arquitetura McPherson na frente e eixo de torção atrás, mas recebeu molas helicoidais mais firmes e amortecedores especiais dotados de molas internas de retorno para conter a inclinação da carroceria em curvas. O coeficiente de arrasto aerodinâmico do veículo foi otimizado para 0,29.
A grande inovação dinâmica do modelo foi a estreia do sistema "Alfa DNA", um seletor que permitia ao motorista ajustar os parâmetros de funcionamento do veículo em três modos diferentes: Dynamic, Normal (rebatizado posteriormente como Natural) e All-Weather. Esse dispositivo alterava a curva de resposta do acelerador, o nível de rigidez da assistência elétrica da direção, a atuação do controle de estabilidade (VDC) e o comportamento da transmissão. No modo Dynamic, o motor ativava uma função de sobrepressão do turbo (overboost), entregando o torque máximo disponível. No modo All-Weather, a eletrônica priorizava a segurança ativa e o controle de tração em pisos de baixíssima aderência, como asfalto molhado ou neve.
Integrado a este aparato dinâmico, o eixo dianteiro contava com o diferencial eletrônico Q2. Quando o seletor DNA estava na posição esportiva, o sistema monitorava a perda de aderência e aplicava força de frenagem na roda interna durante as curvas, transferindo o torque para a roda externa com mais tração. Isso melhorava a velocidade de contorno e reduzia o subesterço sem a necessidade de um diferencial mecânico pesado. O sistema de direção também trazia o recurso Dynamic Steering Torque (DST), que interagia com o controle de estabilidade para enviar pulsos sutis de esterço no volante, orientando o motorista a fazer a correção correta de trajetória em situações de perda de controle. Nas versões equipadas com motores mais potentes, a Alfa Romeo disponibilizava uma suspensão ativa com amortecedores eletrônicos desenvolvida em parceria com a Magneti Marelli, capaz de ler as condições da via por meio de cinco acelerômetros.
A frenagem do modelo mostrava-se bastante eficiente, necessitando de apenas 34 metros para parar totalmente o veículo vindo a uma velocidade de 100 km/h, graças ao uso de quatro freios a disco de dimensões generosas. No quesito segurança passiva, o compacto oferecia sete airbags de série, encostos de cabeça dianteiros ativos para evitar o efeito chicote em colisões traseiras e uma carroceria construída com aços de alta resistência. Essa concepção garantiu ao MiTo a pontuação máxima de cinco estrelas nos testes de colisão do Euro NCAP em 2008, registrando 36 pontos na proteção para adultos.
O MiTo chegou ao mercado europeu com motores herdados da Fiat, mas passou por refinamentos mecânicos cruciais logo no primeiro ano. Em setembro de 2009, o compacto adotou as motorizações a gasolina com o inovador sistema de atuação de válvulas MultiAir. Essa tecnologia elimina o eixo de comando de admissão físico convencional, utilizando um sistema de controle eletro-hidráulico operado por solenoides para regular de maneira livre o tempo e a altura de abertura das válvulas de admissão por ciclo. A queima de combustível tornou-se muito mais limpa, gerando ganhos significativos em eficiência de torque e potência, além de reduzir drasticamente as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado.
Em 2010, a Alfa Romeo introduziu a caixa de câmbio automatizada de dupla embreagem seca e seis marchas TCT (Twin Clutch Transmission), capaz de suportar até 350 Nm de torque. Em 2011, a gama ganhou o motor TwinAir de dois cilindros turbocomprimido de 875 cc, focado na mobilidade ecológica e urbana.
Apresentado no final de 2013 para o ano-modelo 2014, o primeiro facelift concentrou mudanças estéticas e de conectividade. Por fora, o MiTo recebeu um novo friso cromado contornando a grade dianteira (no mesmo estilo adotado pelo modelo Giulietta), faróis dianteiros com lentes internas escurecidas e uma nova opção de pintura cinza metálica.
Por dentro, a cabine foi renovada com novas padronagens de tecido para os bancos e três opções inéditas de acabamento para o painel de instrumentos. O principal avanço tecnológico foi a instalação da central multimídia Uconnect da Continental, equipada com tela colorida sensível ao toque de 5 polegadas, conexões auxiliares, Bluetooth e sistema de navegação TomTom integrado. Todos os motores disponíveis foram atualizados para atender aos parâmetros de emissões Euro 5+.
O segundo facelift do MiTo foi exibido no Salão de Genebra de 2016 e teve como objetivo alinhar o design do modelo com a nova linguagem visual introduzida pelo sedan Giulia. A frente do hatch compacto recebeu um para-choque remodelado com grades inferiores em padrão de colmeia preta, o escudo frontal da Alfa Romeo passou a contar com contorno escurecido e o clássico emblema colorido da marca foi substituído por uma versão de visual modernizado. A tampa traseira recebeu o novo logotipo da marca e grafia redesenhada para o nome do carro.
A fabricante simplificou a gama de versões do modelo, oferecendo-o nas configurações MiTo, Super e Veloce. A antiga variante topo de linha "Quadrifoglio Verde" foi extinta, sendo substituída diretamente pela versão Veloce, que trazia visual agressivo e acabamento focado em desempenho. Os propulsores foram recalibrados para se enquadrarem nas regras de emissões Euro 6.
O Alfa Romeo MiTo ofereceu uma variedade de opções de motores a gasolina, diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e gás natural veicular (GNV/CNG) ao longo de seu ciclo de produção. As tabelas abaixo reúnem as especificações detalhadas de cada trem de força comercializado de 2008 a 2018.
| Identificação do Motor | Tipo de Bloco e Cabeçote | Cilindrada | Potência Máxima | Torque Máximo | Transmissão | Vel. Máxima | 0–100 km/h | Período |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0.9 TwinAir 85 | I2 Turbo, SOHC 8V | 875 cc | 85 cv @ 5500 rpm | 145 Nm @ 2000 rpm | Manual de 6 marchas | 174 km/h | 12,5 s | 2011–2012 |
| 0.9 TwinAir 105 | I2 Turbo, SOHC 8V | 875 cc | 105 cv @ 5750 rpm | 145 Nm @ 2000 rpm | Manual de 6 marchas | 184 km/h | 11,4 s | 2013–2018 |
| 1.4 MPI 78 | I4 Aspirado, SOHC 8V | 1368 cc | 78 cv @ 6000 rpm | 120 Nm @ 4750 rpm | Manual de 5 ou 6 marchas | 165 km/h | 12,3 s | 2008–2018 |
| 1.4 MPI 95 | I4 Aspirado, DOHC 16V | 1368 cc | 95 cv @ 6000 rpm | 129 Nm @ 4750 rpm | Manual de 6 marchas | 180 km/h | 11,2 s | 2008–2018 |
| 1.4 MPI MultiAir 105 | I4 Aspirado, SOHC 16V | 1368 cc | 105 cv @ 6500 rpm | 130 Nm @ 4000 rpm | Manual de 6 marchas | 187 km/h | 10,7 s | 2009–2018 |
| 1.4 TB 120 | I4 Turbo, DOHC 16V | 1368 cc | 120 cv @ 5000 rpm | 206 Nm @ 1750 rpm | Manual de 5 marchas | 195 km/h | 8,8 s | 2008–2009 |
| 1.4 TB 155 | I4 Turbo, DOHC 16V | 1368 cc | 155 cv @ 5500 rpm | 230 Nm @ 3000 rpm | Manual de 6 marchas | 215 km/h | 8,0 s | 2009–2018 |
| 1.4 TB MultiAir 135 | I4 Turbo, SOHC 16V | 1368 cc | 135 cv @ 5250 rpm | 206 Nm @ 1750 rpm | Manual de 5 marchas | 207 km/h | 8,4 s | 2009–2018 |
| 1.4 TB MultiAir 135 TCT | I4 Turbo, SOHC 16V | 1368 cc | 135 cv @ 5250 rpm | 230 Nm @ 1750 rpm | TCT de 6 marchas | 207 km/h | 8,2 s | 2010–2018 |
| 1.4 TB MultiAir 170 (QV) | I4 Turbo, SOHC 16V | 1368 cc | 170 cv @ 5500 rpm | 250 Nm @ 2500 rpm | Manual de 6 marchas | 219 km/h | 7,5 s | 2009–2018 |
| 1.4 TB MultiAir 170 TCT | I4 Turbo, SOHC 16V | 1368 cc | 170 cv @ 5500 rpm | 250 Nm @ 2500 rpm | TCT de 6 marchas | 219 km/h | 7,3 s | 2014–2018 |
| Identificação do Motor | Tipo de Bloco e Cabeçote | Cilindrada | Potência Máxima | Torque Máximo | Transmissão | Vel. Máxima | 0–100 km/h | Período |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.3 JTDm 90 | I4 Turbo-Diesel, DOHC 16V | 1248 cc | 90 cv @ 4000 rpm | 200 Nm @ 1750 rpm | Manual de 6 marchas | 178 km/h | 11,8 s | 2008–2009 |
| 1.3 JTDm 95 | I4 Turbo-Diesel, DOHC 16V | 1248 cc | 95 cv @ 4000 rpm | 200 Nm @ 1500 rpm | Manual de 5 marchas | 180 km/h | 11,6 s | 2009–2018 |
| 1.3 JTDm 85 (UK) | I4 Turbo-Diesel, DOHC 16V | 1248 cc | 85 cv @ 3500 rpm | 200 Nm @ 1500 rpm | Manual de 5 marchas | 174 km/h | 12,9 s | 2011–2018 |
| 1.6 JTDm 120 | I4 Turbo-Diesel, DOHC 16V | 1598 cc | 120 cv @ 3750 rpm | 320 Nm @ 1750 rpm | Manual de 6 marchas | 198 km/h | 9,7 s | 2008–2018 |
| 1.4 Turbo GPL (GLP) | I4 Turbo-GLP, DOHC 16V | 1368 cc | 120 cv @ 5000 rpm | 206 Nm @ 1750 rpm | Manual de 5 marchas | 198 km/h | 8,8 s | 2009–2016 |
| 1.4 Natural Power (GNV) | I4 Turbo-GNV, SOHC 16V | 1368 cc | 120 cv @ 5000 rpm | 206 Nm @ 1750 rpm | Manual de 6 marchas | —— | —— | 2012–2016 |
(Nota: O motor 1.4 MPI de 78 cv recebeu atualizações ao longo de sua vida útil, variando o número de válvulas no cabeçote e os mapas eletrônicos de injeção para otimizar os dados de emissão de CO₂).
A Alfa Romeo aproveitou o apelo visual e a agilidade urbana do MiTo para lançar séries exclusivas de baixa tiragem, cobiçadas por colecionadores da marca.
Lançada em 2009, a versão Quadrifoglio Verde era equipada com o motor 1.4 TB MultiAir de 170 cv de potência. Trazia suspensão ativa com rigidez continuamente variável, sistema de freios Brembo redimensionado e rodas de liga leve exclusivas de 17 ou 18 polegadas.
No interior, o habitáculo recebia acabamento esportivo escurecido, volante com costuras verdes e assentos esportivos Sabelt estruturados com concha de fibra de carbono. Com a remodelação da linha em 2016, essa configuração mecânica topo de linha passou a se chamar MiTo Veloce.
Série especial estritamente limitada a 100 unidades que foram produzidas para servir como veículos de cortesia oficiais da rede de concessionários e oficinas autorizadas da Maserati na Europa. Os veículos vinham na tonalidade exclusiva Azul Oceano Maserati e eram equipados com o motor 1.4 MultiAir de 170 cv.
O acabamento interno era refinado, com bancos revestidos em couro Frau de tom caramelo, sistema de ar-condicionado digital de duas zonas, navegador GPS com mapas europeus e soleiras metálicas de proteção com a inscrição "Alfa Romeo for Maserati".
Esta edição comemorativa celebrou o 46º aniversário do Registro Italiano Alfa Romeo, com produção limitada a apenas 46 unidades numeradas, destinadas exclusivamente aos associados do clube. Pintadas nas cores Preto Cattivo ou Preto Etna, as unidades traziam rodas de liga leve forjadas de 17 polegadas escurecidas em estilo idêntico às do superesportivo 8C Competizione, pinças de freio vermelhas e interior em couro premium nas cores preta ou bordô.
O motor 1.4 Turbo de fábrica recebia uma preparação especial para elevar a potência de 155 cv para 170 cv, além de incorporar uma plaqueta prateada no console central com o nome do proprietário gravado de fábrica.
Série comemorativa produzida em tiragem limitada de 200 unidades para homenagear a atuação da Alfa Romeo como carro de segurança do Campeonato Mundial de Superbike da FIM.
O veículo adotava visual com pintura em duas cores (Preto Sólido com teto Vermelho Alfa ou Vermelho Alfa com teto Preto), decalques esportivos nas laterais, spoiler traseiro e rodas de liga leve de 18 polegadas que abrigavam pinças de freio vermelhas Brembo. Por dentro, vinha com bancos esportivos Sabelt revestidos em Alcantara com costuras vermelhas e encosto em fibra de carbono.
Revelado sob a forma de protótipo funcional no Salão de Genebra de 2009, o projeto Gran Turismo Alleggerita (GTA) representou o auge de desempenho concebido para o modelo. O conceito trazia sob o capô o motor de quatro cilindros de 1.750 cc (1.75 litro) construído em alumínio, dotado de injeção direta de combustível e comando de válvulas continuamente variável na admissão e no escape.
Essa unidade gerava uma potência de 240 cv. O peso total do veículo foi reduzido mediante o emprego de componentes de fibra de carbono na asa traseira, painel do teto e capas dos retrovisores, enquanto alumínio foi utilizado nas suspensões e no sistema de freios. O carro contava com suspensão ativa rebaixada em 20 mm e rodas de liga de 19 polegadas de peso reduzido. Por razões de viabilidade econômica decorrentes da crise financeira mundial, a Alfa Romeo optou por não produzir o modelo em série.
Dois protótipos de teste foram construídos com tecnologia de célula de combustível de hidrogênio para participar de programas de experimentação ambiental na Europa.
O trem de força elétrico utilizava uma célula de combustível fornecida pela Nuvera, associada a baterias compactas de íons de lítio e cilindros de armazenamento de hidrogênio com pressão de 700 bar, entregando autonomia de até 450 km.
Embora o MiTo oferecesse boa dirigibilidade e design marcante, proprietários e mecânicos relataram falhas recorrentes em componentes específicos ao longo dos dez anos de mercado do modelo. O motor 1.4 aspirado de 78 cv mostrou-se o mais robusto e durável do portfólio, enquanto as unidades equipadas com o moderno cabeçote MultiAir exigiram manutenção meticulosa para evitar falhas graves.
O Alfa Romeo MiTo acumulou uma produção total de 293.428 unidades ao longo de sua trajetória comercial. Todas as unidades destinadas aos mercados globais foram montadas na fábrica de Mirafiori, localizada em Turim. A tabela abaixo detalha o volume anual de veículos produzidos na planta e as respectivas vendas consolidadas no continente europeu.
| Ano Calendário | Produção (Fábrica de Mirafiori) | Vendas no Mercado Europeu |
|---|---|---|
| 2008 | 24.759 | 13.282 |
| 2009 | 65.342 | 62.122 |
| 2010 | 53.091 | 51.994 |
| 2011 | 41.077 | 40.425 |
| 2012 | 24.857 | 25.173 |
| 2013 | 19.655 | 17.884 |
| 2014 | 16.894 | 16.950 |
| 2015 | 13.909 | 13.839 |
| 2016 | 14.644 | 12.944 |
| 2017 | 10.906 | 11.367 |
| 2018 | 8.274 | 9.198 |
| Total Acumulado | 293.408 | 275.178 |
(Nota: O total de produção oficialmente divulgado pela fabricante para o ciclo de vida completo do carro é de 293.428 unidades. O total consolidado da soma anual das tabelas internas de Mirafiori registra 293.408 veículos montados).
O MiTo obteve excelente aceitação comercial nos primeiros anos subsequentes ao seu lançamento, superando a marca de 62.000 unidades vendidas na Europa em 2009. Essa forte demanda inicial ajudou a Alfa Romeo a manter a relevância de mercado em um momento no qual o modelo médio 147 perdia apelo e o sedan 159 sofria com volumes de venda em queda. Contudo, a partir de 2012, as vendas iniciaram uma trajetória contínua de declínio. A ausência de uma carroceria prática de cinco portas revelou-se um empecilho crucial, já que o perfil de consumo do segmento B migrou em peso para veículos mais versáteis ou pequenos utilitários esportivos (crossovers).
Em 2017, a demanda anual havia despencado para apenas 11.367 unidades na Europa. Diante de volumes tão baixos e da necessidade de reorganização de suas linhas de montagem para viabilizar crossovers mais rentáveis, a FCA encerrou em definitivo a fabricação do MiTo na metade de 2018. O escoamento das últimas unidades em estoque das concessionárias estendeu-se até o ano de 2020. O segmento ocupado pelo compacto permaneceu sem representação direta na linha Alfa Romeo até 2024, quando a fabricante lançou o modelo Junior, um SUV compacto que atende ao público que antes consumia os hatches compactos da marca.
O Alfa Romeo MiTo cumpriu uma missão estratégica importante para a marca de Arese. Sob o ponto de vista de mercado, permitiu à fabricante participar de um segmento no qual nunca havia competido, atraindo uma nova geração de condutores e mantendo a fábrica de Mirafiori ativa durante a crise financeira global do final dos anos 2000.
Do aspecto técnico, o MiTo funcionou como o principal laboratório de novas tecnologias mecânicas para o grupo, inaugurando a tecnologia MultiAir e combinando-a com sistemas eletrônicos avançados de dinâmica veicular, como o seletor DNA e o diferencial eletrônico Q2, que ditaram o padrão de dirigibilidade dos modelos futuros da Alfa Romeo. Embora seu ciclo tenha se encerrado devido à mudança irreversível na preferência do consumidor por SUVs e carros de cinco portas, o modelo consolidou-se como um futuro clássico, valorizado por seu design italiano e comportamento dinâmico apurado.