1ª Geração
(1997-2000)
O ápice da sofisticação britânica em um conversível desenhado para cruzar continentes com estilo inigualável.
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(1997-2000)
(2000-2003)
A história da Aston Martin é frequentemente caracterizada por ciclos de turbulência financeira seguidos de produtos extraordinários que resgatam a marca da obscuridade. No entanto, nenhum modelo exemplifica essa narrativa de forma tão visceral quanto o Aston Martin DB7. Lançado num momento em que a produção anual da empresa se contava em meras dezenas, o DB7 não foi apenas um novo modelo; foi o catalisador que transformou a Aston Martin de uma operação artesanal de nicho num fabricante global de automóveis desportivos de luxo. Dentro desta linhagem, o DB7 Volante (a designação tradicional da marca para conversíveis) desempenhou um papel estratégico fundamental, especialmente na reconquista do mercado norte-americano, vital para a sustentabilidade da empresa sob a égide da Ford Motor Company.
No início da década de 1990, a Aston Martin enfrentava uma crise existencial. A produção dos modelos Virage V8, feitos à mão na histórica fábrica de Newport Pagnell, era dispendiosa e lenta, resultando em preços proibitivos que limitavam severamente o volume de vendas. A Ford, que havia adquirido a marca em 1987, necessitava urgentemente de um produto que pudesse ser fabricado em volumes mais expressivos — centenas ou milhares, em vez de dezenas — para justificar o investimento e garantir o futuro da marca.
A solução para este impasse não surgiu internamente, mas sim através de uma colaboração externa com a Tom Walkinshaw Racing (TWR). A génese do DB7 está intrinsecamente ligada a um projeto cancelado da Jaguar, outra marca do portfólio da Ford na época. A Jaguar havia passado anos a desenvolver um sucessor para o E-Type, codificado como XJ41 (Coupé) e XJ42 (Conversível). Este projeto, desenhado para ser o novo "F-Type", tornou-se excessivamente pesado, complexo e caro, levando a Ford a cancelá-lo em 1990 em favor do que viria a ser o XK8.
Tom Walkinshaw, visionário proprietário da TWR, viu no trabalho abandonado do XJ41 uma oportunidade. Ele propôs à Aston Martin uma versão reengenheirada desse conceito, adaptada para utilizar a plataforma do Jaguar XJS — uma base mecânica comprovada, embora envelhecida, que permitiria reduzir drasticamente os custos de desenvolvimento. O designer Ian Callum, então a trabalhar para a TWR, foi encarregado de reestilizar a carroceria para que esta exalasse o DNA da Aston Martin, afastando-se da estética Jaguar. O projeto recebeu o código NPX (Newport Pagnell Experimental) e recebeu a luz verde da Ford, marcando o início de uma nova era.
O desenvolvimento do DB7 foi um exercício de pragmatismo brilhante. Ao utilizar a plataforma do Jaguar XJS, a Aston Martin conseguiu trazer um carro ao mercado em tempo recorde e com um orçamento fração do que seria necessário para um design "folha em branco". No entanto, isso impôs desafios significativos, especialmente para a futura variante Volante.
O chassi do XJS datava de meados da década de 1970. Embora fosse competente, a sua adaptação para um GT moderno exigiu um trabalho extenso. A carroceria do DB7 foi construída utilizando uma monocoque de aço semi-estrutural, com o capô, os para-lamas dianteiros e a tampa da mala fabricados em materiais compósitos (Resina Transfer Moulding - RTM) para poupar peso e permitir curvas complexas no design.
Para a versão Volante, a remoção do teto rígido — um componente essencial para a integridade estrutural em monocoques — exigiu reforços substanciais. A equipa de engenharia teve de adicionar vigas de aço nas soleiras das portas, reforços transversais no assoalho e uma estrutura de para-brisas mais robusta. O objetivo era manter a rigidez torcional necessária para um comportamento dinâmico preciso, evitando a "vibração do chassi" (scuttle shake) comum em conversíveis da época. Relatórios técnicos indicam que, apesar destes esforços, o chassi do Volante ainda apresentava alguma flexibilidade em comparação com o Coupé, uma característica que seria mitigada, mas nunca totalmente eliminada, ao longo da vida do modelo.
O design de Ian Callum para o DB7 é amplamente considerado uma obra-prima. Ele conseguiu disfarçar as proporções herdadas do XJS com linhas fluidas e orgânicas que definiam uma elegância intemporal. Para o Volante, Callum desenhou uma linha de cintura que subia suavemente em direção à traseira, conferindo ao carro uma postura musculada mesmo com a capota aberta.
Um ponto de design frequentemente discutido no Volante foi o armazenamento da capota. Devido às restrições de espaço impostas pelo tanque de combustível e pela suspensão traseira do XJS, não foi possível criar um compartimento onde a capota se ocultasse completamente sob uma tampa rígida (tonneau cover) nivelada com a carroceria. Em vez disso, a capota, quando dobrada, ficava "empilhada" visivelmente na traseira, coberta por uma capa de couro ou vinil que precisava ser fixada manualmente. Embora fosse uma solução menos elegante que a dos rivais alemães (como o Mercedes SL), tornou-se uma característica distintiva do modelo, remetendo aos clássicos conversíveis britânicos.
A primeira geração do DB7 Volante, equipada com o motor de seis cilindros, representou o retorno oficial da Aston Martin aos grandes volumes e, crucialmente, ao mercado dos Estados Unidos.
Enquanto o DB7 Coupé foi revelado em 1993, a versão Volante fez a sua estreia mundial apenas em janeiro de 1996, nos Salões do Automóvel de Detroit e Los Angeles. A escolha destes locais foi deliberada: a América do Norte era o mercado-alvo primário para o conversível. A Aston Martin tinha praticamente abandonado os EUA nos anos anteriores devido à falta de produtos competitivos, e o Volante foi a ponta de lança para o renascimento da marca na região.
O motor que equipava esta geração era uma unidade de 3,2 litros (3.228 cc) de seis cilindros em linha. Embora baseado no bloco AJ6 da Jaguar, o motor foi tão extensivamente modificado pela TWR que a Aston Martin o considerava uma unidade distinta.
Na estrada, o DB7 i6 Volante era elogiado pelo seu conforto de rolamento e pela entrega linear de potência do motor supercomprimido. Não era um carro desportivo puro e duro; era um Grand Tourer (GT) capaz de cobrir longas distâncias com estilo. A crítica apontava o peso elevado (quase 1.900 kg) e a direção que, embora precisa, não transmitia tanta informação quanto um Porsche 911. Contudo, a estética e a exclusividade da marca Aston Martin compensavam quaisquer deficiências dinâmicas frente aos rivais tecnicamente superiores.
A produção do modelo i6 Volante ocorreu na fábrica de Bloxham, Oxfordshire, uma instalação moderna adaptada especificamente para o DB7.
| Parâmetro | Detalhe |
|---|---|
| Período de Produção | Outubro de 1996 – Meados de 1999 |
| Total Produzido | 879 Unidades |
| Intervalo de Chassis | Início em SCFAA311-TK 201001 |
| Mercado Principal | Estados Unidos da América |
A produção de 879 unidades em menos de três anos foi um sucesso retumbante para os padrões da Aston Martin, validando a estratégia da Ford e preparando o terreno para algo ainda mais ambicioso.
Em 1999, a paisagem dos supercarros estava a mudar. A Ferrari tinha lançado o 550 Maranello e a Jaguar preparava-se para lançar versões mais potentes do XK8. O motor de seis cilindros do DB7, apesar de competente, carecia do prestígio acústico e da potência bruta necessária para competir no topo da cadeia alimentar. A resposta da Aston Martin foi o DB7 Vantage.
A introdução do modelo Vantage marcou a transição do DB7 de um "baby Aston" para um verdadeiro supercarro. Foi também a primeira vez que um Aston Martin de produção em série foi equipado com um motor V12, estabelecendo um precedente que dura até aos dias de hoje.
O novo coração do DB7 Vantage era um V12 de 6,0 litros (5.935 cc), naturalmente aspirado. Desenvolvido em parceria com a Ford Research e a Cosworth, este motor era tecnicamente a união de dois blocos V6 Ford Duratec, mas com fundição, cabeçotes e componentes internos específicos desenvolvidos pela Cosworth para a Aston Martin.
O Vantage Volante não foi apenas uma troca de motor; foi uma reengenharia quase completa do carro.
O Vantage Volante provou ser ainda mais popular que o seu antecessor, consolidando a Aston Martin como um fabricante de GTs V12.
| Parâmetro | Detalhe |
|---|---|
| Período de Produção | 1999 – 2003 |
| Total Produzido | 1.786 Unidades |
| Intervalo de Chassis | Início em SCFAB322-XK 400001 até 404297 |
| Nota | Produção mais do que duplicada em relação ao i6 Volante |
Ao longo da vida do DB7 Volante, a Aston Martin lançou várias edições especiais para manter o interesse no modelo e celebrar parcerias ou eventos históricos. Estas versões são hoje altamente procuradas por colecionadores devido à sua raridade e especificações únicas.
Esta edição foi criada para celebrar a elegância britânica em parceria com a casa de luxo Alfred Dunhill.
Uma edição ultra-exclusiva encomendada para o famoso "Christmas Book" da loja de departamentos de luxo americana Neiman Marcus.
Comissionada pelo maior grupo de concessionários Aston Martin no Reino Unido, a Stratstone.
Criada para comemorar o Jubileu de Ouro da Rainha Elizabeth II.
Uma série rara encomendada pelo Grupo Lancaster.
O modelo de despedida ("Run-out model"), celebrando o fim da produção do DB7 e o seu 10º aniversário.
| Característica | DB7 Volante (i6) | DB7 Vantage Volante (V12) |
|---|---|---|
| Anos de Produção | Out 1996 – 1999 | 1999 – 2003 |
| Total Produzido | 879 Unidades | 1.786 Unidades |
| Motor | 3.2L I6 Supercharged | 6.0L V12 Naturalmente Aspirado |
| Potência | 335 cv @ 5.500 rpm | 420 cv @ 6.000 rpm |
| Torque | 368 lb-ft @ 3.000 rpm | 400 lb-ft @ 5.000 rpm |
| 0-100 km/h | ~5,7 segundos | ~5,1 segundos |
| Velocidade Máx. | 165 mph (265 km/h) | 165 mph (limitada no Volante) |
| Transmissão Auto | 4 vel. GM 4L80-E | 5 vel. ZF 5HP30 (Touchtronic) |
| Transmissão Manual | 5 vel. Getrag 290 | 6 vel. Tremec T-56 |
| Chassis (Início) | SCFAA311-TK 201001 | SCFAB322-XK 400001 |
Nota sobre a Produção Total: O número combinado de 2.665 unidades do Volante representa uma parcela significativa (cerca de 38%) do total de 7.000 DB7s produzidos. Este volume foi crucial para amortizar os custos da fábrica de Bloxham e validar o modelo de negócio da Ford para a marca.
O Aston Martin DB7 Volante encerrou a sua produção em dezembro de 2003, abrindo caminho para o DB9 e a nova era da fábrica de Gaydon. No entanto, o seu impacto perdura.
Em resumo, o DB7 Volante foi o carro certo na hora certa. Ele combinou a beleza intemporal britânica com a pragmática industrial necessária para sobreviver no mundo moderno, deixando um legado de elegância e potência que definiu a Aston Martin para o século XXI.