1ª Geração
(2025-)
Ficha técnica, versões e história do Aston Martin Valhalla.
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O Aston Martin Valhalla representa uma virada histórica no portfólio de supercarros da fabricante britânica. Projetado para ocupar o espaço logo abaixo do hipercarro extremo Valkyrie, o Valhalla foi concebido com a missão de aplicar as tecnologias da Fórmula 1 em um automóvel homologado para as ruas, aliando desempenho de pista a uma usabilidade diária superior. Ao longo do seu ciclo de desenvolvimento, o modelo passou por profundas transformações mecânicas, estéticas e conceituais, evoluindo de um protótipo com motor V6 para um supercarro híbrido plug-in (PHEV) de alta performance equipado com um motor V8 de virabrequim plano.
A história do Valhalla começou oficialmente no Salão do Automóvel de Genebra de 2019, quando a marca apresentou o protótipo conhecido pelo codinome AM-RB 003. A nomenclatura aludia à parceria técnica entre a Aston Martin e a Red Bull Advanced Technologies, contando com o envolvimento direto do projetista de Fórmula 1 Adrian Newey. Mantendo a tradição da marca de batizar seus veículos de alta performance com a letra "V", como o Vantage, o Vanquish e o Valkyrie, o nome definitivo Valhalla foi oficializado em meados de 2019, remetendo ao salão dos heróis da mitologia nórdica.
O modelo ganhou projeção mundial antes mesmo de chegar às linhas de montagem ao ser escalado para o filme de James Bond, No Time to Die (2021). Devido aos sucessivos adiantamentos do lançamento cinematográfico e às reformulações no projeto real do veículo, a versão exibida nas telas corresponde ao conceito inicial de 2019, enquanto o modelo final de produção seguiu um rumo técnico bastante distinto.
Comercializado em uma única geração de produção, o Valhalla passou por três fases marcantes durante seu processo de engenharia, que alteraram radicalmente seu sistema de propulsão e sua linguagem visual.
A primeira fase consistiu na apresentação do conceito AM-RB 003 em 2019. A proposta inicial previa um motor V6 biturbo de 3,0 litros projetado internamente pela Aston Martin (código TM01), combinado a um sistema híbrido com bateria Rimac. O conceito trazia inovações como o sistema de troca rápida de óleo Castrol Nexcel — capaz de realizar a substituição em 90 segundos por meio de um cartucho selado — e uma asa traseira com tecnologia aerodinâmica FlexFoil aprovada pela NASA. Naquele momento, o volume de fabricação estava planejado para apenas 500 unidades com preço fixado em cerca de 1 milhão de dólares cada.
A segunda fase ocorreu em 2021, sob a gestão do executivo Tobias Moers. Diante de restrições orçamentárias e do elevado custo para concluir o desenvolvimento do motor V6 próprio, a Aston Martin cancelou o propulsor interno e decidiu adotar o motor V8 biturbo da Mercedes-AMG. A carroceria foi completamente redesenhada para acomodar o novo grupo motopropulsor e atender às normas globais de homologação, o que incluiu a instalação de uma grade dianteira tradicional, espelhos retrovisores convencionais e novas tomadas de ar. Com a reformulação, o volume de produção foi ampliado para 999 unidades e o preço revisado para a faixa de 800.000 dólares.
A terceira fase marcou a homologação final entre 2023 e 2026, com protótipos ajustados em pista pela divisão Aston Martin Performance Technologies e pela equipe de Fórmula 1 da marca. O sistema elétrico foi aprimorado para integrar três motores elétricos, enquanto a aerodinâmica ativa e o chassi receberam os ajustes finais de dinâmica de rodagem, culminando nas primeiras entregas aos clientes no final de 2025.
O coração mecânico do Valhalla passou por uma transformação completa entre a fase conceitual e a especificação final de linha de montagem, resultando em um ganho expressivo de potência e torque.
| Especificação / Parâmetro | Conceito AM-RB 003 (2019) | Reengenharia Pré-Série (2021) | Especificação Final de Produção (2025-2026) |
|---|---|---|---|
| Motor a Combustão (ICE) | 3.0L V6 Twin-Turbo (Aston Martin TM01) | 4.0L V8 Twin-Turbo (Mercedes-AMG M178) | 4.0L V8 Twin-Turbo Vira-Pabrequim Plano (M178 LS2) |
| Motores Elétricos | Sistema KERS (Bateria Rimac) | 2 motores elétricos (1 dianteiro, 1 traseiro) | 3 motores elétricos (2 dianteiros, 1 traseiro) |
| Potência Combinada | ~1.000 CV (~986 hp) | 950 PS (937 hp / 699 kW) | 1.079 PS (1.064 bhp / 793 kW) |
| Potência a Combustão | Não especificada individualmente | 750 PS (552 kW) | 828 PS (816 hp) |
| Potência Elétrica Total | Não especificada individualmente | 204 PS (150 kW) | 251 PS (248 hp) |
| Torque Combinado | ~1.349 Nm (estimado) | 1.000 Nm | 1.100 Nm |
| Transmissão | Automática de 8 marchas | Dupla Embreagem de 8 marchas (Graziano) | Dupla Embreagem de 8 marchas (Graziano e-LSD) |
| Tração | Integral (AWD) | Integral sem conexão mecânica entre eixos | Integral (AWD) com Vetorização de Torque Dianteira |
| Aceleração (0–100 km/h) | 2,5 segundos | 2,5 segundos | 2,5 segundos |
| Velocidade Máxima | 354 km/h (estimada) | 350 km/h | 350 km/h |
| Peso (A Seco / Ordem de Marcha) | ~1.405 kg (a seco estimado) | 1.550 kg (a seco) | 1.550 kg (a seco) / 1.655 kg (ordem de marcha) |
O conjunto propulsor definitivo é composto pelo motor V8 biturbo de 4,0 litros equipado com virabrequim plano, capaz de atingir 7.200 rpm e enviar 828 PS exclusivamente para o eixo traseiro. Esse motor opera em sintonia com três motores elétricos que somam 251 PS adicionais. Dois desses motores estão instalados no eixo dianteiro, controlando cada roda de forma independente para oferecer vetorização de torque precisa. O terceiro motor elétrico está integrado à transmissão traseira de dupla embreagem e 8 marchas, fornecendo torque instantâneo e auxiliando na partida do motor térmico.
Uma solução técnica de destaque na transmissão desenvolvida pela Graziano é a eliminação completa da engrenagem física de marcha à ré. As manobras em marcha à ré são realizadas exclusivamente pelos dois motores elétricos dianteiros, o que reduz o peso total da caixa de câmbio. A bateria de íons de lítio de 6,1 kWh e 400V permite que o veículo rode cerca de 15 km no modo totalmente elétrico em velocidades de até 130 km/h, configuração na qual a tração fica 100% concentrada nas rodas dianteiras.
A estrutura central do Valhalla é formada por um monocoque rígido e leve moldado em fibra de carbono, desenvolvido em parceria com a Aston Martin Performance Technologies. A ele estão fixados subchassis de alumínio na dianteira e na traseira, responsáveis por sustentar os sistemas de suspensão e o conjunto motopropulsor. A suspensão dianteira utiliza o sistema push-rod derivado diretamente da Fórmula 1, com molas e amortecedores montados internamente. Na traseira, o veículo adota uma configuração multilink combinada a amortecedores adaptativos Bilstein DTX. A frenagem é entregue por discos de carbono-cerâmica com controle eletrônico "brake-by-wire" e sistema de recuperação de energia regenerativa.
A aerodinâmica ativa desempenha um papel fundamental na estabilidade do Valhalla, gerando mais de 600 kg de sustentação negativa (downforce) a 240 km/h quando o modo de condução Race está ativado. A parte frontal conta com uma asa ativa oculta atrás da grade principal, enquanto a traseira ostenta um aerofólio hidráulico capaz de se elevar em até 255 mm. Ambas as asas reagem em menos de 0,5 segundo para otimizar o equilíbrio aerodinâmico, atuar como sistema DRS para redução de atrito em retas ou operar como freio aerodinâmico em frenagens bruscas. O fluxo de ar inferior é gerenciado por canais Venturi de grande extensão e por um difusor traseiro esculpido.
O sistema de escapamento do modelo de produção adota um arranjo quádruplo exclusivo. Duas ponteiras principais estão localizadas na parte superior do convés traseiro, logo à frente do aerofólio ativo, para maximizar a ressonância sonora do motor V8 e otimizar o fluxo de gases. Outras duas ponteiras estão instaladas na parte inferior, ao lado da placa, contendo válvulas ativas que controlam o volume de ruído de acordo com o modo de pilotagem selecionado.
O interior do Valhalla prioriza a ergonomia sem comprometer o DNA de competição. Os bancos em concha feitos de fibra de carbono são fixados diretamente no monocoque, enquanto a caixa de pedais e a coluna de direção podem ser ajustadas longitudinalmente. Essa disposição posiciona os calcanhares do motorista em um nível elevado, replicando a postura de pilotagem de um monoposto de Fórmula 1.
O painel minimalista traz uma barra estrutural de carbono sob a qual se alinham difusores de ar e duas telas flutuantes de alta definição voltadas para o condutor. O sistema multimídia oferece integração nativa com Apple CarPlay e Android Auto, operado através de comandos intuitivos no console central elevado ou no volante multifuncional de base reta. Diferente de hipercarros focados unicamente em circuitos, o Valhalla vem equipado de fábrica com ar-condicionado de duas zonas, conjunto óptico de LED matricial, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego e assistente de estacionamento com câmeras periféricas. O acesso à cabine ocorre por meio de portas com abertura diédrica que se deslocam para cima e para a frente.
A estratégia comercial do Valhalla reflete a transformação do modelo de um hipercarro de nicho para um supercarro de produção em série limitada. Inicialmente cotado para ter apenas 500 exemplares construídos, o volume total de fabricação foi fixado em 999 unidades numeradas para todo o mundo. Com preço base estipulado na faixa de 800.000 dólares (cerca de 580.000 libras esterlinas), o modelo posiciona a Aston Martin no segmento de supercarros híbridos de altíssimo desempenho, competindo com veículos como o Ferrari SF90 Stradale. As primeiras entregas para clientes ocorreram em dezembro de 2025 no Reino Unido, marcando o início da distribuição global.
Paralelamente ao modelo de rua, a fabricante iniciou o desenvolvimento de uma variante ainda mais extrema voltada para pistas, denominada Valhalla AMR. Flagrada em testes intensivos no circuito de Nürburgring Nordschleife, a versão AMR elimina concessões de conforto em favor da redução de peso, incorporando janelas laterais de acrílico corrediças, um divisor dianteiro proeminente, uma asa traseira fixa de grandes dimensões e o retorno do sistema de troca de óleo Castrol Nexcel focado em uso de competição. O surgimento da versão AMR reafirma o papel do Valhalla como uma plataforma tecnológica duradoura para o futuro da Aston Martin