Aston Martin Virage

Aston Martin Virage

Ficha técnica, versões e história do Aston Martin Virage.

Gerações do Aston Martin Virage

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Aston Martin Virage G1

1ª Geração

(1988 - 1999)

5.3 Twin Supercharged 608 cv
Aston Martin Virage G2

2ª Geração

(2011 - 2012)

5.9 497 cv

Dados Técnicos e Históricos: Aston Martin Virage

Introdução: O Legado de Dois Tempos

A história da Aston Martin é frequentemente caracterizada por ciclos de turbulência financeira seguidos por períodos de estabilidade e inovação técnica. Dentro dessa narrativa corporativa, o nome "Virage" ocupa uma posição singular, servindo como protagonista em dois capítulos completamente distintos da saga da fabricante britânica. O termo, derivado da língua francesa significando "curva" ou "mudança de direção", provou-se profético em ambas as suas encarnações, embora por razões divergentes.

A primeira geração do Virage, lançada no final da década de 1980, representou a última resistência da "velha guarda" de Newport Pagnell. Foi um veículo concebido em uma época de transição, onde a manufatura artesanal colidia com as exigências de homologação modernas e a necessidade de eficiência trazida pela aquisição da marca pela Ford Motor Company. Este modelo não foi apenas um substituto para a venerável linha V8 que sustentou a empresa por duas décadas; ele foi o veículo que carregou a Aston Martin através da recessão econômica do início dos anos 90, permitindo que a marca sobrevivesse tempo suficiente para ver o renascimento subsequente com o DB7.

A segunda geração, introduzida em 2011, surgiu em um contexto radicalmente diferente. Produzida na moderna fábrica de Gaydon, esta iteração do Virage foi um exercício de precisão de nicho dentro da arquitetura VH (Vertical-Horizontal) da empresa. Projetado para preencher uma lacuna quase imperceptível entre o Grand Tourer DB9 e o esportivo agressivo DBS, o Virage de 2011 ilustra os desafios de posicionamento de produto no mercado de luxo contemporâneo. Sua existência efêmera de apenas 18 meses o transformou instantaneamente em uma curiosidade para colecionadores, um modelo que, ironicamente, é mais raro do que muitos de seus antecessores limitados.

Este relatório dedica-se a uma análise exaustiva de ambas as gerações, explorando não apenas as especificações técnicas e números de produção, mas também o contexto socioeconômico, as decisões de engenharia e as nuances de design que definem a identidade do Aston Martin Virage.

A Primeira Geração (1989–2000)

O Contexto de Desenvolvimento: Projeto DP2034

Para compreender o Virage original, é necessário revisitar o clima da Aston Martin em meados da década de 1980. Sob a liderança carismática de Victor Gauntlett, a empresa havia recuperado alguma estabilidade, mas sua linha de produtos — baseada no V8 introduzido em 1969 — estava irremediavelmente envelhecida. As normas de emissões, especialmente nos Estados Unidos, estavam estrangulando o desempenho dos motores carburados antigos, e o design "muscular" dos anos 70 estava saindo de moda em favor de uma estética mais aerodinâmica e suave.

A necessidade de um novo modelo era existencial. O projeto, designado internamente como DP2034, tinha um mandato claro: criar um carro que fosse moderno o suficiente para levar a Aston Martin para o século XXI, mas que mantivesse a construção tradicional de chassi separado e carroceria de alumínio moldada à mão, preservando a identidade artesanal da marca.

O Concurso de Design

A escolha do design não foi trivial. A Aston Martin convidou cinco estúdios de design para submeter propostas. Diferente da tradição de usar encarroçadores italianos como a Zagato ou a Touring, a proposta vencedora veio de uma dupla britânica: John Heffernan e Ken Greenley. Eles eram professores de design automotivo no Royal College of Art em Londres.

A proposta de Heffernan e Greenley venceu porque conseguiu equilibrar a modernidade com a herança. O design apresentava superfícies limpas e fluidas ("flush surfacing"), eliminando as calhas de chuva e para-choques cromados proeminentes dos modelos anteriores. No entanto, mantinha a "presença" física imponente que os clientes da marca exigiam. O carro parecia ter sido esculpido a partir de um único bloco de alumínio sólido, uma característica que se tornaria a assinatura visual do modelo.

A apresentação oficial ocorreu no Salão do Automóvel de Birmingham em 1988. A recepção foi entusiástica, com a imprensa elogiando a modernização das linhas clássicas. Contudo, o lançamento comercial coincidiu com o colapso do mercado de supercarros e a recessão global do início dos anos 90, o que significou que o Virage, destinado a ser um sucesso de vendas, tornou-se um produto de volume extremamente baixo, dependente de clientes ultra-ricos e leais.

Engenharia e Especificações Técnicas (1989-1995)

O Virage foi o primeiro Aston Martin verdadeiramente novo em quase 20 anos. Embora mantivesse a filosofia de motor dianteiro e tração traseira, a execução técnica foi significativamente atualizada em relação ao seu antecessor.

O Motor V8 de 32 Válvulas

O coração do Virage era uma evolução profunda do motor V8 de liga leve projetado pelo engenheiro polonês Tadek Marek. No entanto, para atender às novas exigências de potência e emissões, a Aston Martin precisou de ajuda externa.

  • Desenvolvimento Callaway: A empresa contratou a Callaway Engineering, de Connecticut (EUA), famosa por seus trabalhos em Corvettes turbo, para redesenhar os cabeçotes do motor. O objetivo era implementar uma configuração de 4 válvulas por cilindro (32 válvulas no total) para melhorar a "respiração" do motor e a eficiência de combustão.
  • Gerenciamento de Combustível: Os carburadores Weber, temperamentais e difíceis de ajustar para emissões, foram substituídos por um moderno sistema de injeção eletrônica de combustível Weber-Marelli.
  • Especificações Finais: O motor de 5.340 cc (5.3 Litros) produzia 330 bhp (cavalos) a 6.000 rpm e 350 lb-ft (475 Nm) de torque a 3.700 rpm.
  • Catalisadores: Uma das maiores conquistas deste motor foi a capacidade de manter (e até aumentar ligeiramente) a potência em relação aos modelos anteriores, mesmo com a introdução restritiva de conversores catalíticos obrigatórios.

Transmissão e Drivetrain

A transferência dessa potência para as rodas traseiras foi gerida por duas opções principais de transmissão, refletindo a dupla personalidade do carro como esportivo e grand tourer:

  • Manual ZF de 5 Velocidades: Cerca de 40% dos Virages iniciais foram encomendados com esta caixa. Era uma transmissão robusta, mas conhecida por ter um acionamento pesado, exigindo esforço físico do motorista.
  • Automática Chrysler TorqueFlite: A maioria dos compradores (60%) optou pelo conforto da transmissão automática. Inicialmente, o Virage utilizava a caixa de 3 velocidades da Chrysler, uma unidade antiga que, embora suave, limitava a aceleração e o consumo de combustível. Em 1993, esta foi substituída por uma unidade de 4 velocidades mais moderna, com overdrive, melhorando significativamente a capacidade de cruzeiro em alta velocidade.

Chassi e Suspensão

O chassi do Virage era uma plataforma de aço, sobre a qual a carroceria de alumínio era fixada. A suspensão representava uma mistura de tradição e modernidade:

  • Dianteira: Braços duplos (double wishbone) com molas helicoidais e barra estabilizadora.
  • Traseira: A Aston Martin manteve o complexo e custoso eixo De Dion, localizado por braços radiais e um mecanismo de Watt (Watt's linkage). O eixo De Dion é uma solução técnica interessante que permite que as rodas traseiras se mantenham verticais em relação ao solo (como num eixo rígido) mas sem o peso não suspenso do diferencial (que é fixado ao chassi, como numa suspensão independente). Isso proporcionava uma excelente tração e conforto em superfícies irregulares, ideal para um GT pesado.

Componentes Compartilhados ("Parts Bin")

Para viabilizar a produção de um carro de tão baixo volume, a Aston Martin recorreu ao "canibalismo" de peças de grandes fabricantes, uma prática comum na indústria de nicho britânica.

  • Faróis Dianteiros: Provenientes do Audi 200.
  • Lanternas Traseiras: Originais do Volkswagen Scirocco de segunda geração.
  • Coluna de Direção e Controles: Emprestados da Ford e, em alguns casos, da General Motors ou Jaguar. Apesar dessas origens humildes, o acabamento interno era inigualável, com couro Connolly costurado à mão e madeira de nogueira (walnut) cobrindo o painel, escondendo efetivamente as origens plebeias dos componentes elétricos.
A Família Virage: Variantes e Evoluções

O chassi do Virage provou ser extremamente adaptável. Durante a década de 90, a Aston Martin utilizou essa base para criar uma família completa de veículos, tentando atender a todos os desejos de sua clientela exclusiva.

Virage Volante (1990/1992–1996)

A tradição da Aston Martin dita que todo coupé deve ter uma contraparte conversível ("Volante"). O Virage Volante estreou no Salão de Birmingham de 1990.

  • Desenvolvimento: Originalmente mostrado como um conversível de dois lugares, o feedback dos clientes foi negativo; eles queriam espaço para levar crianças ou bagagem extra. A Aston Martin redesenhou o carro para ser um 2+2 (quatro lugares) antes do início da produção em 1992.
  • Construção: A remoção do teto exigiu reforços estruturais significativos no chassi de aço para evitar torção. O teto era uma peça complexa de engenharia, com revestimento interno de mohair e acionamento eletro-hidráulico.
  • Desempenho: Devido ao peso extra dos reforços, o Volante era ligeiramente mais lento que o Coupé, mas oferecia uma experiência de condução a céu aberto inigualável em termos de luxo. A grande maioria foi vendida com câmbio automático.

A Conversão 6.3 Litros (Works Service)

Logo após o lançamento, alguns clientes criticaram que o Virage, com 330 cv e quase 1.800 kg, não era rápido o suficiente para competir com os supercarros da época. A resposta da Aston Martin não veio da linha de produção principal, mas sim da divisão "Works Service" (Serviço de Fábrica).

  • O Motor: O V8 era desmontado e re-usinado para aumentar o deslocamento de 5.3 para 6.3 litros. Isso resultava em um salto de potência para cerca de 465 a 500 bhp e um torque massivo.
  • O Pacote Completo: A conversão 6.3 não era apenas sobre o motor. Incluía freios a disco ventilados de 14 polegadas (os maiores do mundo em um carro de passageiros na época), suspensão retrabalhada, e um kit de carroceria alargado ("wide body") com arcos de roda estendidos para acomodar pneus Goodyear Eagle massivos.
  • Legado: O visual do Virage 6.3 definiu a estética muscular da Aston Martin pelos anos seguintes e serviu de protótipo visual para o futuro Vantage.

Shooting Brake e Lagonda: As Excentricidades

A flexibilidade da construção manual permitiu a criação de modelos extremamente raros, muitas vezes feitos sob medida para a realeza.

  • Virage Shooting Brake (1992-1994): Uma perua de duas portas ("Shooting Brake") de alto desempenho. Diferente de conversões anteriores feitas por terceiros, estas foram construídas pela própria fábrica. Utilizavam a tampa traseira do Ford Escort Estate e lanternas do Renault 21, integradas de forma magistral. Acredita-se que apenas 6 a 8 unidades foram feitas.
  • Lagonda Virage Saloon: Uma versão de quatro portas, revivendo o nome Lagonda. O chassi foi alongado em 12 polegadas (30 cm). Cerca de 8 ou 9 unidades produzidas.
  • Lagonda Virage Shooting Brake: Uma perua de cinco portas baseada no chassi longo do Lagonda. Apenas 1 ou 2 unidades confirmadas, tornando-se um dos Aston Martins mais raros da história.
O Vantage e o Crepúsculo (1993–2000)

O Vantage (1993–2000): O "Bruto de Terno"

Em 1993, a Aston Martin decidiu que a plataforma Virage precisava de uma versão de alto desempenho dedicada, e não apenas de conversões pós-venda. O resultado foi o retorno do nome Vantage. É crucial notar que, embora baseado no chassi do Virage, este carro foi comercializado apenas como "Aston Martin Vantage", abandonando o nome Virage para se distanciar do modelo base menos potente.

Engenharia de Supercarro

O Vantage foi um tour de force técnico. O objetivo era criar o carro mais potente e rápido do mundo capaz de transportar quatro pessoas.

  • Twin Supercharged: O motor V8 5.3L recebeu dois compressores volumétricos Eaton M90. A complexidade do encanamento e do intercooler sob o capô era imensa.
  • Potência V550: O modelo padrão, conhecido retroativamente como V550, produzia 550 bhp e 550 lb-ft (745 Nm) de torque.
  • Transmissão: Nenhum câmbio automático da época suportaria tal torque. A Aston Martin utilizou a caixa manual de 6 velocidades da Chevrolet Corvette ZR-1, modificada para o uso britânico.
  • Desempenho: 0 a 100 km/h em 4,6 segundos e velocidade máxima de 300 km/h (186 mph). Tudo isso em um carro que pesava quase 2.000 kg (1.990 kg).

Design Agressivo

Visualmente, o Vantage era intimidante. Ele adotou a carroceria larga (wide body), mas com distinções claras:

  • Seis faróis dianteiros (três de cada lado), cobertos por lentes de vidro.
  • Uma grade dianteira sólida com apenas duas pequenas aberturas para entrada de ar, criando uma "cara" inconfundível.
  • Discos de freio de 362mm na dianteira com pinças AP Racing de 4 pistões.

As Evoluções Finais: V600 e Le Mans

  • V600 (1998): Para os clientes que achavam 550 cv pouco, a fábrica ofereceu o pacote V600, elevando a potência para 600 bhp e 600 lb-ft de torque. Isso foi alcançado através de modificações nos compressores e no sistema de escape.
  • Vantage Le Mans (1999-2000): A despedida final da plataforma. Limitada a 40 unidades para celebrar os 40 anos da vitória em Le Mans (1959). O design incluía uma grade dianteira com "narinas" (nostrils) para melhor refrigeração e um interior com conta-giros centralizado e acabamento em titânio. Disponível nas especificações de motor V550 ou V600. É considerado por muitos o auge da era Newport Pagnell.

O Crepúsculo: V8 Coupé e V8 Volante (1996–2000)

Em 1996, o nome "Virage" foi oficialmente aposentado para o modelo base, sendo substituído pelo V8 Coupé.

  • Racionalização: O V8 Coupé era, essencialmente, um Virage atualizado com a estética do Vantage (grade de malha e faróis redondos, mas sem a carroceria super-larga). O motor aspirado foi mantido, agora afinado para 350 bhp e melhor torque em baixa rotação.
  • V8 Volante Long Wheelbase (LWB): Lançado em 1997, este modelo resolveu a principal crítica do Virage Volante original: o espaço traseiro. O chassi foi alongado em 200mm (8 polegadas), criando um verdadeiro conversível de 4 lugares. Apenas 63 unidades foram feitas, tornando-o extremamente colecionável.
Tabela de Produção e Especificações (Geração 1: 1989–2000)
Modelo Período Unidades (Estimadas) Motorização Potência
Virage Coupé 1989–1996 ~411 V8 5.3L Aspirado 330 bhp
Virage Volante 1992–1996 ~233 V8 5.3L Aspirado 330 bhp
Vantage (V550) 1993–2000 ~239 V8 5.3L Twin-Supercharged 550 bhp
Vantage Le Mans 1999–2000 40 V8 5.3L Twin-Supercharged 550/600 bhp
V8 Coupé 1996–2000 101 V8 5.3L Aspirado 350 bhp
V8 Volante (LWB) 1997–2000 63 V8 5.3L Aspirado 354 bhp
Shooting Brake 1992–1994 6–8 V8 5.3L / 6.3L Variável
Lagonda (Saloon/SB) 1993–1996 ~9–12 V8 5.3L / 6.3L Variável
Total Estimado 1989–2000 ~1.050 a 1.100
A Segunda Geração (2011–2012)

Renascimento na Era Gaydon

Mais de uma década após o último Virage deixar Newport Pagnell, a Aston Martin, agora sediada em Gaydon e operando de forma independente (após a venda pela Ford), decidiu reviver o nome. O contexto, no entanto, não poderia ser mais diferente. A marca tinha uma linha de produtos consolidada baseada na arquitetura de alumínio VH (Vertical-Horizontal).

O lançamento do novo Virage no Salão de Genebra de 2011 foi estratégico. A Aston Martin identificou uma lacuna estreita em sua linha V12:

  • DB9: O GT clássico, focado em conforto e elegância.
  • DBS: O supercarro agressivo, focado em performance e uso de fibra de carbono.

O Virage 2011 foi posicionado exatamente no meio. A ideia era oferecer um carro que tivesse a elegância do DB9 mas com uma dose extra de esportividade e exclusividade visual, sem chegar à brutalidade (e ao preço) do DBS.

Design e Diferenciação Visual

À primeira vista, o Virage 2011 parecia muito com o DB9, o que gerou críticas. No entanto, uma análise detalhada revela que quase todos os painéis da carroceria eram novos ou exclusivos.

  • Frente: A grade dianteira era uma peça de metal com cinco lâminas horizontais chanfradas, inspirada diretamente no hipercarro One-77. O para-choque dianteiro era mais simples e limpo que o do DBS, eliminando os sensores de estacionamento visíveis.
  • Faróis: O Virage estreou um novo design de farol bi-xenônio com uma tira de LED integrada para luz diurna, conferindo um olhar mais moderno que o do DB9 da época.
  • Lateral e Traseira: As saias laterais eram pronunciadas, evocando o DBS, e o difusor traseiro era pintado na cor da carroceria, enfatizando a largura do carro.

Engenharia e Performance (VH Generation II)

O Virage utilizava a evolução da plataforma de alumínio colado da Aston Martin.

Motor V12 AM11

O motor era o venerável V12 de 6.0 litros (5.935 cc) de aspiração natural, montado à mão em Colônia, na Alemanha.

  • Potência: 490 bhp (497 cv / 366 kW) a 6.500 rpm.
  • Torque: 570 Nm (420 lb-ft) a 5.750 rpm. Isso colocava o Virage exatamente entre os 477 cv do DB9 e os 517 cv do DBS. A entrega de potência foi calibrada para ser mais urgente que no DB9, mas ainda civilizada.

Transmissão Touchtronic II

Diferente da primeira geração, não houve opção manual. O Virage veio exclusivamente com a transmissão automática ZF de 6 velocidades "Touchtronic II". Montada na traseira (transaxle) para garantir a distribuição de peso perfeita de 50:50, a caixa foi recalibrada para oferecer trocas mais rápidas no modo Sport, mas mantendo a suavidade em uso urbano.

Dinâmica de Condução: O Sistema ADS

O grande trunfo do Virage era o seu chassi. Ele vinha de série com o sistema de Amortecimento Adaptativo (ADS - Adaptive Damping System) de nova geração. O sistema "lia" a estrada e o comportamento do motorista, ajustando a rigidez dos amortecedores em tempo real.

  • Modo Normal: Focado no conforto, absorvendo imperfeições melhor que o DBS.
  • Modo Sport: Endurecia a suspensão para controle de carroceria em curvas rápidas. Além disso, o Virage vinha equipado de série com freios de Carbono-Cerâmica (CCM), que eram opcionais ou indisponíveis no DB9. Isso reduzia o peso não suspenso e garantia performance de frenagem de pista sem fadiga.

Variantes da Segunda Geração

  • Virage Coupé: Disponível em configurações 2+2 (pequenos bancos traseiros) ou 2+0 (prateleira de carga). Desempenho de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos e velocidade máxima de 299 km/h.
  • Virage Volante: Lançado simultaneamente, compartilhava a mecânica do coupé. Recebeu reforços estruturais que elevaram o peso para cerca de 1.860 kg, garantindo rigidez torcional excepcional.
  • Zagato Centennial Shooting Brake (2014): Um modelo único (one-off) criado pela Zagato para os 100 anos da Aston Martin. Totalmente diferente do carro de produção, com linhas angulares e controversas.

O Fim Prematuro e a Raridade (2012)

O Virage de segunda geração foi descontinuado em setembro de 2012, após apenas 18 meses de produção.

A Razão do Fim: O modelo foi vítima de sua própria estratégia de posicionamento. A diferença de preço entre o DB9 e o Virage era difícil de justificar para muitos clientes, dado que a estética era muito similar. Além disso, a Aston Martin preparava uma grande atualização para o DB9 em 2013. O "Novo DB9" acabou herdando o design do farol, o chassi atualizado e o motor mais potente (agora com 517 cv) que eram exclusivos do Virage. Na prática, o Virage se tornou o "rascunho" ou protótipo de produção para a evolução final do DB9.

Números de Produção: Devido à sua vida curta, o Virage moderno é um dos Aston Martins de produção em série mais raros da era moderna.

  • Total Geral: Aproximadamente 1.044 unidades.
  • Coupés: Estimados em 656 unidades.
  • Volantes: Estimados em 388 unidades. Esta escassez, combinada com o fato de ser mecanicamente superior aos DB9s anteriores a 2013, torna o Virage uma "pérola" escondida no mercado de usados.
Conclusão: Análise de Legado

Ao comparar as duas gerações do Virage, surge um padrão claro de transição e adaptação.

O Virage de 1989 foi um herói de guerra. Ele manteve a Aston Martin viva durante tempos sombrios, carregando o peso da tradição de Newport Pagnell em seus ombros de alumínio. Ele representa a engenharia mecânica pura, a força bruta e a exclusividade da construção manual. Suas variantes, especialmente o Vantage V600, permanecem como ícones de uma era onde a potência excessiva e a falta de ajudas eletrônicas eram celebradas.

O Virage de 2011, por outro lado, é um estudo de caso em refinamento e estratégia de produto. Ele provou que a plataforma VH ainda tinha potencial para evolução, introduzindo tecnologias (como os freios de carbono-cerâmica de série) que elevariam o padrão da marca. Embora comercialmente redundante na época, hoje ele oferece aos entusiastas a oportunidade de possuir um Aston Martin V12 raro, com o melhor design da era e uma dinâmica de condução equilibrada, sem o prêmio de preço associado ao emblema DBS.

Ambos os carros, separados por décadas e filosofias, cumprem a promessa de seu nome: representaram curvas decisivas na longa e sinuosa estrada da Aston Martin.

Tabela Comparativa de Gerações
Característica Virage Geração 1 (1989-2000) Virage Geração 2 (2011-2012)
Local de Fabricação Newport Pagnell (Manual) Gaydon (Linha de Montagem)
Material da Carroceria Alumínio moldado à mão Alumínio, Magnésio, Compósitos
Motor V8 5.3L (330-600 cv) V12 6.0L (490 cv)
Transmissão Manual 5/6 vel. ou Auto 3/4 vel. Automática Touchtronic II 6 vel.
Filosofia Muscle Car Aristocrático Grand Tourer Tecnológico
Principal Legado Base para o Vantage V600 Base para o DB9 Gen 4
Unidades Totais ~1.050 ~1.044

Dados técnicos baseados em: • Catálogo oficial da montadora • Documentação WLTP / Inmetro quando disponível • Press releases oficiais

Conteúdo editorial produzido por Gabriel Carvalho. | Última revisão: Dezembro/2025.