A primeira geração do A4, designada internamente como B5, foi um marco de engenharia que
estabeleceu os padrões que a marca seguiria pelas décadas seguintes. Lançado na Europa
em novembro de 1994 e chegando ao Brasil em 1995, o modelo rompeu radicalmente com o
design retilíneo dos anos 80, adotando linhas fluidas, arredondadas e uma silhueta
elegante que envelheceu com notável dignidade.
Engenharia de Suspensão: O Sistema "Four-Link"
O grande diferencial técnico do B5, muitas vezes ignorado em análises superficiais, foi a
introdução da suspensão dianteira four-link (quatro braços de alumínio independentes).
Diferente do sistema MacPherson tradicional, utilizado pela maioria dos carros de tração
dianteira (e pelo antecessor Audi 80), o sistema four-link permitia que o eixo virtual
de direção fosse posicionado muito próximo ao centro da roda.
Na prática, isso eliminava quase completamente o "esterçamento por torque" (torque steer)
— a tendência do volante puxar para os lados durante acelerações fortes, algo comum em
carros potentes com tração dianteira. Essa sofisticação mecânica proporcionava uma
precisão de direção e uma estabilidade em altas velocidades que rivalizavam com os
concorrentes de tração traseira, colocando a Audi em um novo patamar dinâmico.
No entanto, para o consumidor brasileiro, essa complexidade cobrou seu preço: os braços
de alumínio e suas buchas sofriam desgaste acelerado nas ruas pavimentadas
irregularmente do Brasil, tornando a manutenção da suspensão dianteira um ponto de
atenção constante para proprietários de modelos usados.
Motorização: A Era das 5 Válvulas
O A4 B5 introduziu no Brasil a tecnologia de cabeçotes com 5 válvulas por cilindro (3 de
admissão e 2 de escape), totalizando 20 válvulas nos motores de quatro cilindros e 30
válvulas nos V6. Essa configuração, derivada das pistas de corrida, visava otimizar o
fluxo de mistura ar-combustível em altas rotações, permitindo que os motores
"respirassem" melhor e entregassem mais potência específica.
As principais motorizações comercializadas no Brasil nesta geração foram:
| Motor |
Configuração |
Potência |
Torque |
Características Principais |
| 1.8 20V |
4 Cil. Aspirado |
125 cv |
17,6 kgfm |
Motor de entrada. Robusto, mas exigia altas rotações para mover o
sedã
com
agilidade. Conhecido pela suavidade. |
| 1.8 Turbo 20V |
4 Cil. Turbo |
150 cv / 180 cv |
21,4 kgfm |
A estrela da gama. Unia economia e desempenho esportivo (0-100 km/h
em
~8,3s). Grande potencial de preparação (tuning). |
| 2.4 V6 30V |
V6 Aspirado |
165 cv |
23,5 kgfm |
Introduzido no facelift (1999). Focado em silêncio e conforto de
rodagem
(cruising). |
| 2.8 V6 30V |
V6 Aspirado |
193 cv |
28,6 kgfm |
Topo de linha "civil". Geralmente equipado com tração integral
Quattro e
câmbio Tiptronic. |
O Facelift de 1999 (B5.5)
Em 1999, a Audi aplicou uma atualização de meia-vida (facelift) ao modelo, muitas vezes
referida informalmente como "B5.5". As alterações incluíram:
- Design Exterior: Faróis dianteiros de peça única (integrando a luz
de direção, que antes era separada), lanternas traseiras com lentes transparentes
("cristal"), maçanetas das portas redesenhadas e para-choques alisados.
- Interior: Console central redesenhado com novos comandos de
ar-condicionado, iluminação do painel mudando do laranja tradicional para o vermelho
com branco (nas versões mais completas), e materiais de toque mais suave (soft
touch).
- Mecânica: Recalibração da suspensão para oferecer maior conforto,
respondendo a críticas sobre a rigidez excessiva em pisos ruins.
Legado no Brasil
O A4 B5 foi o carro que solidificou a imagem da Audi no Brasil. Ele provou que um carro
de luxo poderia ser divertido, tecnológico e relativamente acessível (em comparação aos
proibitivos Mercedes da época). Milhares de unidades foram importadas, criando uma base
sólida de fãs e um mercado de reposição que perdura até hoje.