A primeira geração do Audi S7 foi construída sobre a plataforma MLB (Modularer
Längsbaukasten), uma matriz modular longitudinal do Grupo Volkswagen que permitiu à Audi
posicionar o motor mais recuado em relação ao eixo dianteiro, melhorando a distribuição
de peso em comparação com modelos anteriores. O modelo foi revelado em 2011 e chegou ao
mercado global como modelo 2012/2013, estabelecendo imediatamente um novo padrão de
design.
Design e Identidade Visual
O design do S7 C7 é frequentemente citado por críticos e entusiastas como um dos pontos
altos da estética automotiva da década de 2010. Diferenciando-se do A7 convencional, o
S7 adotou a filosofia de "esportividade discreta" da linha S.
- Frente: A grade dianteira "Singleframe" recebeu acabamento em cinza
platina com filetes duplos horizontais cromados, uma assinatura exclusiva dos
modelos S. O para-choque dianteiro foi redesenhado com entradas de ar laterais mais
proeminentes para alimentar os intercoolers e resfriar o sistema de freios.
- Perfil: A silhueta é definida pela "Tornado Line", um vinco
acentuado que percorre toda a lateral do carro, do farol à lanterna traseira. As
capas dos retrovisores em alumínio escovado ("Alu-Optic") serviam como um
identificador visual imediato da versão esportiva.
- Traseira: A marca registrada do S7 manifestou-se nas quatro saídas
de escape ovais, agrupadas em pares nas extremidades do difusor traseiro. Um
aerofólio retrátil, integrado à tampa do porta-malas, elevava-se automaticamente a
130 km/h para aumentar a pressão aerodinâmica (downforce) no eixo traseiro, ou podia
ser acionado manualmente.
Engenharia Mecânica: O Coração V8 4.0 TFSI
O elemento central da experiência do S7 C7 foi o motor 4.0 TFSI V8 biturbo (Código do
motor: CEUC). Este propulsor representou um salto tecnológico significativo para a Audi,
substituindo os antigos V10 aspirados do S6/S8 anterior por uma unidade menor,
sobrealimentada e mais eficiente.
Especificação e Dados Técnicos (S7 C7)
- Configuração: V8 a 90 graus, Biturbo
- Cilindrada: 3.993 cm³
- Potência Máxima: 420 cv (309 kW) @ 5.500–6.400 rpm
- Torque Máximo: 56,1 kgfm (550 Nm) @ 1.400–5.200 rpm
- Aceleração 0–100 km/h: 4,7 segundos
- Velocidade Máxima: 250 km/h (Limitada Eletronicamente)
Arquitetura "Hot-V": Uma inovação crucial deste motor foi o
posicionamento dos dois turbocompressores twin-scroll (dupla voluta) dentro do "V"
formado pelas bancadas de cilindros, e não nas laterais externas. Essa configuração
encurtou drasticamente o caminho que os gases de escape precisavam percorrer até as
turbinas, resultando em uma resposta de aceleração quase instantânea e eliminação do
"turbo lag" (atraso na resposta do turbo).
Cylinder on Demand (COD): Para conciliar a performance de um V8 com as
exigências de consumo, a Audi implementou o sistema Cylinder on Demand. Em situações de
carga leve ou média (como velocidade de cruzeiro em estrada), o sistema desativa os
cilindros 2, 3, 5 e 8, fechando as válvulas e cortando a injeção. O motor passa a operar
como um V4 de 2.0 litros. A transição ocorre em milissegundos e é virtualmente
imperceptível ao motorista. Para neutralizar as vibrações naturais de um motor V4, a
Audi instalou coxins de motor ativos (que geram contravibrações) e o sistema Active
Noise Cancellation (cancelamento ativo de ruído) através dos alto-falantes do carro.
Transmissão e Tração: A Precisão do S-Tronic
Diferentemente do RS7, que utilizava um câmbio automático convencional de 8 marchas (ZF
8HP) para lidar com torque superior a 700 Nm, o S7 C7 foi equipado com a transmissão
S-Tronic de 7 velocidades (Código DL501). Trata-se de um câmbio de dupla embreagem
banhado a óleo, conhecido pela rapidez cirúrgica nas trocas de marcha e pela sensação de
conexão direta entre acelerador e rodas.
A tração Quattro permanente é o pilar dinâmico do modelo. Nesta geração, o sistema
utilizava um diferencial central de coroa (Crown Gear), mais leve e compacto que o
Torsen tradicional. Em condições normais, a distribuição de torque era de 40% para o
eixo dianteiro e 60% para o traseiro, conferindo um comportamento dinâmico mais próximo
de um carro de tração traseira. Opcionalmente, o Diferencial Esportivo Traseiro
distribuía ativamente a força entre as rodas traseiras, acelerando a roda externa em
curvas para mitigar o subesterço (tendência do carro de sair de frente).
Lançamento e Contexto no Brasil
O Audi S7 Sportback foi introduzido no mercado brasileiro no segundo semestre de 2013. O
contexto econômico da época ainda permitia a importação de veículos de nicho com certa
viabilidade, embora o "Super IPI" já estivesse em vigor.
- Preço e Posicionamento: O modelo chegou com preço sugerido em torno
de R$ 480.000 a R$ 500.000. Ele competia diretamente com o Mercedes-Benz CLS 500 e o
BMW 650i Gran Coupe.
- Pacote Brasil: A Audi do Brasil optou por trazer o S7 em
configurações extremamente completas ("Full Options"). Itens que eram opcionais na
Europa, como o Head-Up Display, o sistema de Night Vision (câmera térmica para
detecção de pedestres e animais) e o sistema de som avançado (frequentemente Bose ou
Bang & Olufsen), costumavam vir de série nas unidades brasileiras.
- Volume: A expectativa de vendas era de nicho absoluto, projetando
cerca de 20 a 30 unidades por ano, o que garante a raridade do modelo hoje no
mercado de usados.