A quinta geração do Seville (e sua versão STS) foi lançada em 1998 com uma missão
ambiciosa: ser o primeiro Cadillac verdadeiramente global. Construído sobre a plataforma
"G" da General Motors, que oferecia uma rigidez estrutural muito superior à antiga
plataforma "K", o novo modelo foi projetado desde o início para ser vendido em mercados
de exportação, incluindo versões com direção à direita para o Japão e o Reino Unido.
Evolução Técnica e Design
Embora visualmente semelhante ao modelo de 1992-1997, o carro de 1998 foi completamente
reengenheirado. O comprimento total foi ligeiramente reduzido para menos de 5 metros
(nas versões de exportação) para se adequar às garagens e impostos europeus, embora a
distância entre-eixos tenha aumentado para melhorar o espaço interno.
O interior recebeu uma atenção especial à ergonomia, abandonando os painéis digitais
complexos dos anos 80/90 em favor de instrumentos analógicos de fácil leitura e
materiais de toque macio, tentando emular a qualidade de construção da Audi e Lexus.
A Inovação do Magnetic Ride Control (2002)
O maior legado tecnológico desta geração, e talvez de toda a história moderna da
Cadillac, foi a introdução do sistema Magnetic Ride Control (Suspensão Magnética) no
STS, em meados de 2002.
Diferente das suspensões adaptativas anteriores que usavam válvulas mecânicas para
ajustar o fluxo de óleo, o Magnetic Ride utilizava um fluido magneto-reológico. Este
fluido contém partículas microscópicas de ferro.
- Funcionamento: Quando os sensores do carro detectam um buraco ou
uma curva, uma corrente elétrica cria um campo magnético dentro do amortecedor.
- Reação Instantânea: O campo magnético alinha as partículas de
ferro, transformando o fluido de líquido para uma consistência quase sólida em menos
de um milissegundo.
- Resultado: O sistema lê a estrada 1.000 vezes por segundo, reagindo
mais rápido do que o piscar de um olho humano. Esta tecnologia foi tão
revolucionária que a Ferrari licenciou o sistema da GM para usar em seus supercarros
(como a 599 GTB), provando a excelência da engenharia do STS.
O Fim da Linha Seville
Apesar de toda a tecnologia, o Seville STS sofria de uma limitação física inerente: a
Tração Dianteira (FWD). Com 300 cavalos nas rodas da frente, o carro lutava contra o
fenômeno do "esterçamento por torque" (torque steer), onde a força do motor puxa a
direção para os lados durante acelerações fortes. Ficou claro para a Cadillac que, para
competir de igual para igual com a Série 5 da BMW e a Classe E da Mercedes (ambos de
tração traseira), uma mudança radical de arquitetura era necessária.
A produção do modelo STS (como versão do Seville) foi encerrada em maio de 2003. O modelo
SLS continuou em produção até dezembro de 2003 como modelo 2004, marcando o fim
definitivo do nome "Seville" nos Estados Unidos.