A filosofia "Modificata" se manifestou em cada aspecto técnico do carro. Embora a
silhueta
desenhada pela Pininfarina permanecesse familiar, as melhorias sob a carroceria foram
profundas,
redefinindo o desempenho e a experiência de condução de um Grand Tourer (GT) da Ferrari.
Motor V12 'F133 E/G' e Performance
O coração da 575M é seu motor V12 de 65 graus, que recebeu atenção especial dos
engenheiros de
Maranello. A cilindrada foi aumentada de 5474 cc para 5748 cc, não apenas para aumentar
a
potência, mas também para melhorar a curva de torque e a resposta em todas as rotações.
As
melhorias incluíram uma nova dinâmica de fluidos de admissão, uma taxa de compressão
mais alta e
um gerenciamento eletrônico do motor (Bosch Motronic M 5.2) remapeado para otimizar a
eficiência.
O resultado foi um aumento de potência para 515 cv (ou 508 hp) a 7.250 rpm e um torque
máximo de
588 Nm a 5.250 rpm. Esses números se traduziam em um desempenho impressionante para a
época:
- Velocidade máxima: 325 km/h (202 mph).
- Aceleração de 0 a 100 km/h: 4,2 segundos com a transmissão F1 e
4,25
segundos com a manual.
Transmissão: A Revolução do Câmbio F1
A maior inovação tecnológica da 575M foi, sem dúvida, a introdução da transmissão manual
automatizada "F1" como opcional, uma novidade absoluta para um Ferrari V12 de rua.
Baseado em
uma caixa de câmbio manual de 6 velocidades da Graziano Trasmissioni, o sistema
utilizava
atuadores eletro-hidráulicos para realizar as trocas de marcha em apenas 200
milissegundos,
controladas por borboletas atrás do volante. Para comparação, uma troca na caixa manual
levava
cerca de 300 milissegundos.
Este sistema também introduziu pela primeira vez em um modelo de produção da Ferrari o
"launch
control" (controle de largada), que otimizava a aceleração a partir da imobilidade.
Apesar da
inovação, a Ferrari continuou a oferecer a tradicional e amada caixa de câmbio manual de
6
velocidades com a grelha metálica, embora esta opção tenha se mostrado muito menos
popular entre
os compradores.
Chassi, Suspensão e Freios
Para garantir que o chassi pudesse lidar com o aumento de performance, a Ferrari
implementou
melhorias significativas. A arquitetura transaxle, com a caixa de câmbio montada no eixo
traseiro, foi mantida para preservar a distribuição de peso ideal de 50/50 com o
motorista a
bordo, um fator chave para o equilíbrio e a dirigibilidade do carro.
A grande novidade foi a introdução de um sistema de suspensão com amortecimento
adaptativo. Este
sistema controlava de forma independente a rigidez de cada um dos quatro amortecedores,
ajustando-se continuamente às condições da estrada e ao estilo de condução. O motorista
podia
escolher entre dois modos principais: "Sport", que enrijecia a suspensão e acelerava as
trocas
de marcha da caixa F1, e "Comfort", que priorizava uma condução mais suave e relaxada.
Os freios
também foram aprimorados, com discos de maior diâmetro e novas pastilhas (Ferodo HP1000)
que
ofereciam maior poder de parada e melhor resistência ao superaquecimento (fade).
Design e Aerodinâmica por Pininfarina
O design da 550 Maranello, criado por Lorenzo Ramaciotti na Pininfarina, já era
considerado um
clássico instantâneo, e a Ferrari sabiamente decidiu não alterá-lo drasticamente. As
modificações na 575M foram sutis e, em sua maioria, funcionais. A dianteira foi
redesenhada com
novas tomadas de ar e um spoiler otimizado para melhorar o arrefecimento e a eficiência
aerodinâmica.
Os faróis foram modernizados, com um corpo na cor da carroceria e tecnologia de xênon
como
padrão. Pequenos detalhes, como carenagens aerodinâmicas adicionadas para suavizar o
fluxo de ar
ao redor das rodas, demonstravam a atenção aos detalhes para reduzir o arrasto. O
interior
também foi significativamente redesenhado, com um novo painel de instrumentos, assentos
mais
confortáveis e ergonômicos, e acabamentos de maior qualidade, reforçando seu caráter de
Grand
Tourer de luxo.