1ª Geração
(2007-2012)
Ficha técnica, versões e história do Ferrari 599 GTB.
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(2007-2012)
A Ferrari 599 GTB Fiorano, apresentada no Salão do Automóvel de Genebra em 2006 e produzida entre 2007 e 2012, foi muito mais do que a sucessora da 575M Maranello. Ela representou uma declaração de intenções tecnológicas, servindo como uma ponte crucial entre os Gran Turismos mais analógicos da Ferrari e a era dos supercarros modernos, repletos de eletrônica sofisticada derivada diretamente da Fórmula 1.
Os objetivos do projeto eram claros e ambiciosos: aumentar o prazer de dirigir, garantir um desempenho avassalador através da transferência de tecnologia da F1 e, simultaneamente, assegurar níveis elevados de conforto, ergonomia e segurança. O próprio nome do carro é uma homenagem à sua herança: "599" refere-se à cilindrada do motor de 5999 cm³, dividida por 10; "GTB" é a sigla para Gran Turismo Berlinetta, em honra às mais famosas berlinettas da marca; e "Fiorano" é o nome do circuito de testes da Ferrari, onde o desempenho do carro foi meticulosamente aperfeiçoado.
Contudo, a 599 foi mais do que um único carro; foi uma plataforma de engenharia versátil que deu origem a uma família completa de veículos, desde o luxuoso Gran Turismo de rua até uma máquina experimental exclusiva para as pistas. A estratégia da Ferrari com a 599 demonstrou uma notável maturação em sua filosofia de produto. Em vez de desenvolver cada versão do zero, a empresa estabeleceu uma base de engenharia extremamente robusta com o modelo GTB, projetada com uma capacidade de evolução que ia muito além do carro inicial. Isso permitiu a criação de um verdadeiro "ecossistema" em torno do modelo, onde a versão de pista (a 599XX) funcionava como um laboratório de pesquisa e desenvolvimento, cujas inovações podiam ser reintroduzidas na plataforma de rua (a 599 GTO). Essa abordagem não apenas maximizou o retorno sobre o investimento inicial, mas também fortaleceu a imagem da marca ao criar uma linhagem tecnológica clara e coesa.
A 599 GTB Fiorano estabeleceu um novo padrão para os Gran Turismos de motor dianteiro, combinando um design deslumbrante, um motor herdado de um hipercarro e um arsenal de tecnologias de ponta.
O design da 599, liderado por Jason Castriota no estúdio Pininfarina, foi uma obra de arte escultural, onde cada linha e superfície foram cuidadosamente modeladas para serem tanto belas quanto funcionais. O carro marcou um avanço significativo em relação à sua antecessora, a 575M, ao utilizar uma construção totalmente em alumínio para o chassi e a carroceria. Essa escolha não apenas reduziu o peso, mas também permitiu uma distribuição de peso otimizada de 47% na dianteira e 53% na traseira, com o motor V12 posicionado inteiramente atrás do eixo dianteiro.
A inovação aerodinâmica mais marcante e visualmente distinta foram os "contrafortes voadores" (flying buttresses). Em vez de recorrer a uma grande e intrusiva asa traseira, os designers criaram dois arcos que se estendiam do teto até a traseira do carro, canalizando o fluxo de ar de forma limpa sobre a carroceria. Essa solução engenhosa gerava uma força descendente (downforce) significativa em altas velocidades, crucial para a estabilidade, sem comprometer a elegância e a silhueta clássica de um Gran Turismo. O design era complementado por um assoalho plano e um difusor traseiro proeminente, que trabalhavam em conjunto para gerenciar o fluxo de ar sob o veículo, garantindo que a 599 permanecesse estável e previsível mesmo em velocidades superiores a 300 km/h.
O coração da 599 GTB Fiorano era uma versão do lendário motor V12 de 6.0 litros (5999 cm³) e 65°, com o código interno F140C, derivado diretamente do motor que equipava o hipercarro Ferrari Enzo. Essa decisão estratégica posicionou a 599 no topo absoluto do segmento de GTs, conferindo-lhe um pedigree e um nível de desempenho sem precedentes.
O motor produzia impressionantes 620 cv a 7.600 rpm e 608 Nm (61,9 kgfm) de torque a 5.600 rpm, com a rotação máxima atingindo 8.400 rpm. Na época de seu lançamento, era um dos motores aspirados mais potentes do mundo, com uma notável potência específica de 103,4 cv por litro. Esses números se traduziam em um desempenho avassalador para um carro de motor dianteiro: aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 3,7 segundos e uma velocidade máxima declarada superior a 330 km/h.
A 599 GTB Fiorano não era apenas força bruta; ela foi um marco na introdução de tecnologias eletrônicas avançadas derivadas da Fórmula 1 em um carro de rua da Ferrari.
Essas tecnologias, juntas, redefiniram as expectativas para o segmento de Gran Turismos. Antes da 599, havia uma distinção clara entre os supercarros de motor central, mais ágeis e tecnológicos, e os GTs V12 de motor dianteiro, focados em conforto para longas distâncias. A Ferrari quebrou essa barreira ao equipar a 599 com o motor de um hipercarro e a eletrônica mais avançada da casa. A tecnologia não servia apenas para aumentar o desempenho, mas para torná-lo utilizável. Gerenciar 620 cv com tração traseira em 2006 era um desafio, mas a eletrônica tornou essa potência acessível a motoristas que não eram pilotos profissionais. Como resultado, a 599 GTB tornou-se a referência, a ponto de ser usada pela Porsche como o alvo a ser batido durante o desenvolvimento do 911 GT2 RS, forçando concorrentes como a Lamborghini e a Aston Martin a evoluírem para acompanhar o novo padrão.
| Categoria | Especificação |
|---|---|
| Motor | |
| Tipo | V12 a 65°, Aspiração Natural |
| Código do Motor | F140C |
| Cilindrada | 5999 cm³ |
| Potência Máxima | 620 cv @ 7.600 rpm |
| Torque Máximo | 608 Nm (61,9 kgfm) @ 5.600 rpm |
| Rotação Máxima | 8.400 rpm |
| Taxa de Compressão | 11.2:1 |
| Alimentação | Injeção multiponto |
| Transmissão | |
| Tração | Traseira (RWD) |
| Câmbio | Automatizado F1-SuperFast de 6 marchas / Manual de 6 marchas |
| Desempenho | |
| Velocidade Máxima | > 330 km/h |
| Aceleração 0-100 km/h | 3,7 s |
| Aceleração 0-200 km/h | 11,0 s |
| Chassi e Suspensão | |
| Estrutura | Chassi e carroceria em alumínio |
| Suspensão Dianteira | Braços sobrepostos, molas helicoidais, SCM |
| Suspensão Traseira | Braços sobrepostos, molas helicoidais, SCM |
| Freios | Discos de carbono-cerâmica ventilados |
| Pneus Dianteiros | 245/40 R19 |
| Pneus Traseiros | 305/35 R20 |
| Dimensões e Peso | |
| Comprimento | 4665 mm |
| Largura | 1962 mm |
| Altura | 1336 mm |
| Distância entre-eixos | 2750 mm |
| Peso em ordem de marcha | ~1690 kg |
| Distribuição de Peso | 47% Dianteira / 53% Traseira |
| Tanque de Combustível | 105 litros |
| Porta-malas | 320 litros |
A plataforma 599 provou ser a base perfeita para uma série de evoluções que atenderam a diferentes nichos de mercado, desde aprimoramentos focados na dirigibilidade até edições limitadas de desempenho extremo e exclusividade incomparável.
Lançado em 2009, o pacote HGTE (Handling Gran Turismo Evoluzione) foi uma resposta direta ao feedback de que a 599 GTB padrão, embora incrivelmente competente, era um pouco "macia" para os motoristas mais puristas e exigentes. O objetivo era claro: aprimorar a dirigibilidade, a agilidade e o envolvimento do motorista, transformando a 599 em uma máquina mais afiada e focada, sem alterar a potência do motor.
As modificações eram abrangentes e focadas na dinâmica do veículo:
Disponível como um pacote opcional que também podia ser instalado em carros já existentes (retrofit), acredita-se que menos de 500 unidades saíram de fábrica com o pacote HGTE, tornando-o uma especificação desejável.
O nome GTO (Gran Turismo Omologato) é sagrado na história da Ferrari, usado anteriormente apenas no lendário 250 GTO e no icônico 288 GTO. Sua aplicação na 599 sinalizou a chegada de um carro de rua com a alma e a tecnologia de um carro de corrida. A 599 GTO era, em essência, a versão homologada para as ruas do carro de pista experimental 599XX, transferindo muitas de suas inovações diretamente do programa XX.
O motor V12 foi extensivamente retrabalhado para produzir 670 cv a 8.250 rpm, enquanto o peso do carro foi reduzido em cerca de 100 kg em comparação com a GTB padrão, resultando em uma relação peso/potência excepcional de 2,22 kg/cv. O desempenho era de outro nível: 0 a 100 km/h em 3,35 segundos, velocidade máxima superior a 335 km/h e um tempo de volta recorde em Fiorano de 1 minuto e 24 segundos, um segundo mais rápido que o Ferrari Enzo.
A aerodinâmica foi drasticamente aprimorada com um pacote derivado da 599XX, incluindo um novo spoiler dianteiro, um difusor traseiro de dupla curvatura e os "wheel doughnuts" — discos aerodinâmicos nas rodas para otimizar o fluxo de ar e o arrefecimento dos freios. Essas modificações geravam 144 kg de downforce a 200 km/h, mantendo o carro colado ao asfalto. A produção foi estritamente limitada a 599 unidades, garantindo sua exclusividade e status de colecionador.
A 599 SA Aperta foi criada para celebrar o 80º aniversário do prestigiado estúdio de design Pininfarina. As iniciais "SA" são uma homenagem direta a Sergio e Andrea Pininfarina, figuras icônicas que ligaram o nome de sua empresa aos modelos de maior sucesso da Ferrari.
Este não era apenas um 599 conversível. Era um verdadeiro roadster, com um para-brisa mais baixo e inclinado e dois arcos de segurança aerodinâmicos atrás dos assentos que se integravam perfeitamente ao design. Para manter o foco na experiência de dirigir a céu aberto, o carro vinha com apenas uma capota de lona de emergência, projetada para uso temporário e em baixas velocidades.
Mecanicamente, a SA Aperta era uma GTO a céu aberto. Ela utilizava o trem de força completo da 599 GTO, incluindo o potente motor V12 de 670 cv e o câmbio F1 de trocas ultrarrápidas. O desempenho era igualmente impressionante, com uma aceleração de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos e uma velocidade máxima de 325 km/h. A produção foi limitada a apenas 80 unidades, tornando a SA Aperta uma das Ferraris da era moderna mais raras e cobiçadas do mundo.
A progressão da família 599 — da GTB para o pacote HGTE e, finalmente, para as edições de halo GTO e SA Aperta — representa um estudo de caso magistral em gerenciamento de ciclo de vida de produto. A Ferrari lançou a GTB como um produto de base de altíssimo desempenho, mas com o conforto de um GT. Em seguida, ouvindo os entusiastas, lançou o pacote HGTE como uma atualização de "meio de ciclo" para atender à demanda por uma experiência mais focada. Finalmente, a GTO e a SA Aperta representaram o auge do ciclo de vida, criando produtos de topo com narrativas fortes que solidificaram o legado da plataforma. Essa estratégia permitiu à Ferrari manter o modelo 599 relevante e desejável por todo o seu ciclo de produção, segmentando o mercado para diferentes tipos de clientes.
O Programa XX representa o ápice da engenharia da Ferrari, criando veículos que não são homologados nem para as ruas nem para competições oficiais, servindo como laboratórios de tecnologia sobre rodas para um grupo seleto de clientes.
A 599XX não era um carro de corrida convencional. Era um "carro laboratório" projetado para clientes selecionados que, ao participarem de eventos de pista exclusivos do programa Corse Clienti, atuavam como pilotos de teste para a Ferrari. O objetivo era testar tecnologias de ponta em um ambiente extremo, com os dados coletados em tempo real sendo usados para desenvolver futuros carros de rua e de F1 da marca.
O motor V12 de 6.0 litros foi extensivamente retrabalhado com componentes mais leves, materiais exóticos como fibra de carbono nos plenums de admissão e atrito interno reduzido. A potência saltou para 730 cv, e a rotação máxima foi elevada para impressionantes 9.000 rpm. O câmbio foi recalibrado para realizar trocas em apenas 60 milissegundos.
A inovação mais radical, no entanto, estava na aerodinâmica. O sistema "Actiflow" utilizava dois ventiladores montados no porta-malas que sugavam o ar de baixo do carro através de um difusor de material poroso, expelindo-o pelas aberturas onde estariam as lanternas traseiras. Isso permitia que o sistema aumentasse drasticamente a força descendente (gerando até 630 kg a 300 km/h) para máxima aderência em curvas, ou reduzisse o arrasto em retas para maior velocidade. O resultado foi um desempenho avassalador: a 599XX se tornou o primeiro carro derivado de um modelo de produção a quebrar a barreira dos 7 minutos no lendário circuito de Nürburgring Nordschleife, com um tempo de 6:58.16. Acredita-se que apenas 29 unidades foram construídas.
A 599XX Evo foi um pacote de atualização oferecido aos proprietários da 599XX, levando o conceito de carro laboratório ainda mais longe. A maior inovação foi a introdução de uma asa traseira ativa inspirada na F1, equipada com um sistema semelhante ao DRS (Drag Reduction System). Chamado de "opening gap", o sistema possuía duas aletas na asa que podiam girar para alterar o perfil aerodinâmico. Controlado eletronicamente com base na velocidade, ângulo do volante e acelerações laterais e longitudinais, o sistema otimizava o equilíbrio da força descendente entre os eixos dianteiro e traseiro, melhorando drasticamente o desempenho em curvas. Com as aletas fechadas, a força descendente total a 200 km/h chegava a 440 kg.
A potência também foi aumentada. Com a adoção de escapamentos laterais, o motor passou a entregar 750 cv e 700 Nm de torque. Combinado com uma relação de marcha final mais curta, a 599XX Evo era capaz de completar uma volta em Fiorano em apenas 1 minuto e 15 segundos, um tempo comparável ao de carros de corrida de categoria GT.
O programa XX, exemplificado pela 599XX e sua versão Evo, revela um modelo de negócio genial. Em vez de arcar com 100% dos custos de pesquisa e desenvolvimento de suas tecnologias mais extremas, a Ferrari criou um programa onde seus clientes mais leais e ricos pagam milhões pelo privilégio de testar esses protótipos. Isso não apenas gera um fluxo de caixa positivo para o departamento de P&D, mas também fornece dados valiosos do mundo real e cria um nível de exclusividade e envolvimento com a marca que é inigualável. As tecnologias validadas no programa XX, como a aerodinâmica ativa da Evo, tornaram-se a base para os sistemas encontrados em futuros carros de rua, como o LaFerrari e a F12tdf.
A história da Ferrari 599 é também uma história de exclusividade, com números de produção que variam drasticamente entre suas versões, culminando em um dos carros manuais mais raros da era moderna.
| Métrica | 599 GTB Fiorano | 599 GTO | 599 SA Aperta | 599XX | 599XX Evo |
|---|---|---|---|---|---|
| Potência (cv) | 620 @ 7.600 rpm | 670 @ 8.250 rpm | 670 @ 8.250 rpm | 730 @ 9.000 rpm | 750 @ 9.000 rpm |
| Torque (Nm) | 608 @ 5.600 rpm | 620 @ 6.500 rpm | 620 @ 6.500 rpm | 686 Nm | 700 Nm |
| Peso Seco (kg) | ~1.580 kg | ~1.495 kg | ~1.595 kg | 1.345 kg | 1.310 kg |
| Relação Peso/Potência | 2,55 kg/cv | 2,23 kg/cv | 2,38 kg/cv | 1,84 kg/cv | 1,75 kg/cv |
| 0-100 km/h (s) | 3,7 s | 3,35 s | 3,6 s | 2,9 s | N/A |
| Vel. Máxima (km/h) | > 330 | > 335 | > 325 | 315 (limitada) | N/A |
| Unidades Produzidas | ~3.500-4.000 | 599 | 80 | 29 | Pacote de upgrade |
Os números de produção da família 599 contam uma história clara de segmentação e exclusividade crescente:
Além dessas, existiram outras versões ainda mais raras, como a edição especial 60F1, que celebrava os 60 anos de vitórias da Ferrari na F1, e o protótipo único 599 HY-KERS, um laboratório para a tecnologia híbrida que mais tarde seria usada no LaFerrari.
Em meio a um mar de tecnologia de ponta, a 599 GTB Fiorano detém uma distinção histórica de grande importância: foi a última Ferrari com motor V12 a ser oferecida com uma transmissão manual de seis marchas, completa com a icônica grelha de metal.
A raridade desta configuração é impressionante. Apenas 30 exemplares com câmbio manual foram produzidos para o mundo todo. Destes, 20 foram destinados ao mercado dos Estados Unidos e apenas 10 permaneceram na Europa. Este número incrivelmente baixo não foi um acidente, mas sim um reflexo da mudança estratégica da Ferrari em direção aos câmbios automatizados F1, que ofereciam um desempenho objetivamente superior.
A produção de apenas 30 unidades manuais marca um ponto de inflexão na filosofia da Ferrari. Historicamente, o câmbio manual era sinônimo de esportividade e engajamento. No entanto, a tecnologia de câmbio automatizado da marca atingiu um ponto em que era comprovadamente mais rápida. Para uma marca construída sobre o pilar da performance máxima, continuar a oferecer uma opção mais lenta tornou-se uma contradição. A 599 manual foi, portanto, a "última chamada" para os tradicionalistas, um artefato histórico que marca o momento exato em que a busca incessante por tempos de volta mais rápidos superou permanentemente a tradição do engajamento mecânico como o principal valor da marca. Isso a torna um dos carros mais valiosos e colecionáveis da Ferrari na era moderna.
A Ferrari 599 não foi apenas um modelo de sucesso; foi uma plataforma de engenharia transformadora que redefiniu o segmento de Gran Turismos, serviu como um laboratório de testes para tecnologias que moldariam a próxima década de supercarros e produziu alguns dos veículos mais desejáveis e colecionáveis da história moderna da Ferrari.
Ela estabeleceu as bases tecnológicas e filosóficas para suas sucessoras, como a F12berlinetta e a 812 Superfast. A eletrônica sofisticada, o foco na aerodinâmica funcional e a estratégia de criar uma família de modelos em torno de uma única plataforma tornaram-se o novo padrão para a Ferrari. Em essência, a 599 foi a primeira Ferrari V12 do século XXI, e seu impacto profundo e duradouro ainda é sentido na indústria automotiva hoje.