A 812 Superfast foi projetada com um objetivo claro: estabelecer um novo padrão para
carros
esportivos de motor dianteiro, combinando performance avassaladora com a capacidade de
ser um
carro confortável para longas viagens.
O Coração da Fera: O Motor F140 GA
No centro da 812 Superfast está uma obra-prima da engenharia: o motor V12 de 65 graus,
código
F140 GA. Ele é uma evolução direta do motor da F12berlinetta, com seu deslocamento
aumentado de
6.3 para 6.5 litros (especificamente 6496 cc). O resultado é uma potência máxima de 800
cv (588
kW) entregue a 8.500 rpm e um torque de 718 Nm a 7.000 rpm. No momento de seu
lançamento, este
era o motor naturalmente aspirado mais potente já instalado em um carro de produção em
série, um
feito notável que dispensava o uso de turbo ou tecnologia híbrida.
A potência específica de 123 cv por litro era uma cifra sem precedentes para um motor
dianteiro
em um carro de produção. Contudo, a Ferrari não focou apenas em números de pico. Para
garantir
que o carro fosse utilizável no dia a dia, os engenheiros garantiram que 80% do torque
máximo
estivesse disponível a apenas 3.500 rpm, proporcionando uma aceleração vigorosa e
flexibilidade
em rotações mais baixas. A capacidade do motor de girar até um regime máximo de 8.900
rpm, com
uma curva de potência que sobe constantemente, oferece ao motorista uma sensação de
aceleração
ilimitada.
Desempenho e Dinâmica Veicular: A Tecnologia a Serviço da Velocidade
Os números de performance da 812 Superfast são impressionantes: aceleração de 0 a 100
km/h em 2.9
segundos, de 0 a 200 km/h em 7.9 segundos e uma velocidade máxima declarada de 340 km/h.
Para
gerenciar essa potência e garantir uma distribuição de peso perfeita (47% na dianteira e
53% na
traseira), o carro utiliza uma arquitetura transaxle, com o motor na frente e a
transmissão
montada na traseira.
A 812 Superfast introduziu duas tecnologias cruciais que representaram um ponto de
inflexão para
a Ferrari. A primeira foi a adoção da direção com assistência elétrica (EPS), uma
estreia para a
marca. Embora puristas tradicionalmente prefiram a direção hidráulica, a Ferrari
integrou o EPS
a todos os sistemas de controle dinâmico do veículo para explorar plenamente o potencial
de
performance do carro.
A segunda inovação foi o sistema Virtual Short Wheelbase 2.0 (PCV), ou "Distância Entre
Eixos
Curta Virtual". Herdado da experiência com a F12tdf, este sistema combina a assistência
da
direção dianteira com o esterçamento das rodas traseiras. Em baixas velocidades, as
rodas
traseiras viram na direção oposta às dianteiras, tornando o carro mais ágil, como se
tivesse uma
distância entre eixos menor. Em altas velocidades, elas viram na mesma direção,
aumentando a
estabilidade. A introdução dessas tecnologias não foi apenas para tornar o carro mais
fácil de
dirigir, mas foi enquadrada como uma ferramenta para aprimorar o desempenho, permitindo
que um
motorista explore os limites de um carro de 800 cv com mais confiança. Isso solidificou
uma nova
filosofia para os V12 da marca, onde a performance máxima é alcançada através de uma
simbiose
complexa entre mecânica e software.
Para completar o pacote dinâmico, a 812 Superfast foi equipada com freios de
carbono-cerâmica
Brembo Extreme Design, os mesmos utilizados na LaFerrari, que melhoraram a performance
de
frenagem de 100 a 0 km/h em 5.8% em comparação com a F12berlinetta.
Aerodinâmica Esculpida pelo Vento
O design da 812 Superfast, concebido pelo Ferrari Styling Centre, é uma fusão de beleza e
função.
O objetivo aerodinâmico era aumentar o downforce — a força que pressiona o carro contra
o solo,
melhorando a estabilidade — sem aumentar o arrasto aerodinâmico, que prejudicaria a
velocidade
máxima e o consumo de combustível.
Para isso, foi utilizada uma combinação de soluções ativas e passivas. A frente do carro
foi
projetada para canalizar o ar e aumentar o downforce, com dutos para refrigeração dos
freios e
para aumentar o fluxo de ar sob o carro. O assoalho possui três pares de represas curvas
que
atuam como geradores de vórtice, responsáveis por 30% do aumento de downforce em relação
à
F12berlinetta. Na traseira, o difusor possui flaps ativos que podem se abrir em altas
velocidades para reduzir o arrasto.
Design e Interior
Visualmente, a 812 Superfast redefine a linguagem dos V12 dianteiros da Ferrari. Sua
silhueta
fastback, com uma traseira alta e curta, é uma homenagem direta à icônica 365 GTB/4
"Daytona" de
1969. Detalhes como os faróis full-LED e as quatro lanternas traseiras circulares
modernizaram o
visual, mantendo a identidade da marca.
O interior inspira-se tanto na F12berlinetta quanto na LaFerrari, com um painel de
instrumentos
focado no motorista e elementos que parecem "flutuar", criando uma atmosfera esportiva e
sofisticada.