Ferrari SF90 Stradale

Ferrari SF90 Stradale

Performance sem limites e sem teto: o roadster de 1000 cv que elevou o conceito de céu aberto ao nível de hipercarro.

Gerações do Ferrari SF90 Stradale

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Ferrari SF90 Stradale G1

1ª Geração

(2020-2025)

4.0 V8 Biturbo Híbrido Plug-in 1030 cv

Dados Técnicos e Históricos: Ferrari SF90 Stradale

Um Marco na História da Ferrari

A Ferrari SF90 representa um dos momentos mais transformadores na história da fabricante de Maranello. Lançada em 2019, ela não é apenas mais um supercarro de alta performance, mas sim um divisor de águas tecnológico que redefine o futuro da marca e estabelece novos padrões para toda a indústria automotiva. Este relatório detalha a história, a engenharia e as diferentes versões deste modelo icônico, explorando como a Ferrari combinou sua rica herança de competição com a tecnologia do futuro.

O Significado do Nome: Herança e Celebração

O nome de um carro da Ferrari nunca é escolhido ao acaso, e o da SF90 é carregado de simbolismo. A sigla "SF" representa "Scuderia Ferrari", a lendária equipe de corrida da marca, enquanto o número "90" celebra o 90º aniversário de sua fundação por Enzo Ferrari em 1929. O sufixo "Stradale", que significa "estrada" em italiano, serve para diferenciar este modelo de produção em série de sua inspiração direta: o carro de Fórmula 1 da temporada de 2019, também chamado SF90.

Essa escolha de nome foi uma manobra estratégica brilhante. A Ferrari estava prestes a introduzir a tecnologia mais radical em um de seus carros de produção: um sistema híbrido plug-in (PHEV) combinado com tração integral, uma novidade para um esportivo de motor central da marca. Historicamente, a base de clientes da Ferrari valoriza a pureza mecânica e a tradição, especialmente os motores de aspiração natural. Uma mudança tão drástica poderia encontrar resistência. Ao batizar o carro com o nome da equipe de F1 e celebrar o aniversário da Scuderia, a Ferrari usou seu ativo de marca mais poderoso – sua herança nas corridas – para validar e legitimar a nova tecnologia. A mensagem implícita era clara: a hibridização não era um desvio da identidade da Ferrari, mas sim a mais recente manifestação de seu espírito competitivo, transferido diretamente das pistas para as ruas.

O Ponto de Virada: O Primeiro Supercarro PHEV de Série

A SF90 Stradale marcou uma mudança de paradigma para a Ferrari ao se tornar seu primeiro veículo híbrido plug-in de produção em série. Mais significativo ainda, pela primeira vez na história da marca, um carro com motor V8 assumiu a posição de modelo de topo da gama em termos de performance, superando os tradicionais V12. Com uma potência combinada de 1000 cv (cheval vapeur, ou cavalo-vapor), a SF90 não apenas estabeleceu um novo padrão de desempenho para a Ferrari, mas para todo o setor de carros esportivos, provando que a eletrificação poderia ser uma ferramenta para performance extrema.

O Coração Híbrido: Análise Técnica do Powertrain

O sistema de propulsão da SF90 é uma obra-prima de engenharia que integra de forma harmoniosa um motor a combustão V8 com três motores elétricos, criando um dos powertrains mais complexos e potentes já colocados em um carro de rua.

O Motor a Combustão: O Ápice do V8 Ferrari

No centro da SF90 está uma evolução do premiado motor F154 da Ferrari. Trata-se de um V8 de 4.0 litros (3990 cm³) com dois turbocompressores, montado em posição central-traseira longitudinal. Sozinho, este motor a combustão gera impressionantes 780 cv (769 hp) a 7.500 rpm e um torque de 800 Nm (81,6 kgfm) a 6.000 rpm, tornando-o o V8 mais potente já produzido pela Ferrari para um carro de rua até então.

Para alcançar esses números, os engenheiros de Maranello redesenharam completamente os sistemas de admissão e escape. As cabeças dos cilindros foram estreitadas, novos injetores de combustível de alta pressão (350 bar) foram instalados, e todo o conjunto do motor foi montado 50 mm mais baixo no chassi para otimizar o centro de gravidade. O coletor de escape é feito de Inconel, uma superliga de níquel-cromo resistente ao calor e muito leve, um material derivado diretamente da Fórmula 1.

O Sistema Elétrico: Potência e Inteligência

Complementando o V8, a SF90 possui três motores elétricos que, juntos, adicionam 220 cv (162 kW) ao sistema. A distribuição é a seguinte:

  • Dois motores no eixo dianteiro: Um para cada roda, permitindo tração integral e vetorização de torque.
  • Um motor no eixo traseiro: Posicionado entre o motor V8 e a caixa de câmbio. Este motor é conhecido como MGUK (Motor Generator Unit, Kinetic), um nome e uma tecnologia herdados diretamente da Fórmula 1, que auxiliam na entrega de potência e na recuperação de energia.

A energia para esses motores é fornecida por uma bateria de íon-lítio de alta performance com capacidade de 7,9 kWh. Essa bateria permite que a SF90 tenha uma autonomia puramente elétrica de até 25 km, com uma velocidade máxima de 135 km/h usando apenas os motores elétricos.

Performance Combinada e Transmissão

A sinergia entre o motor a combustão e os três motores elétricos resulta em uma potência combinada total de 1000 cv (986 hp). O torque combinado do sistema é de 800 Nm, com o motor V8 sendo o principal contribuinte.

Toda essa força é gerenciada por uma nova caixa de câmbio de dupla embreagem (F1 DCT) de 8 marchas, desenvolvida pela Magna. Esta transmissão é 10 kg mais leve e mais compacta que a anterior de 7 marchas usada em outros modelos da Ferrari. Uma de suas características mais notáveis é a ausência de uma marcha à ré dedicada.

Esta ausência não é uma falha, mas sim o resultado de uma engenharia de integração causal. A decisão de usar dois motores elétricos no eixo dianteiro não foi apenas para adicionar potência ou criar tração integral; foi uma escolha que gerou uma cascata de benefícios. Ao delegar a função de marcha à ré para os motores elétricos dianteiros, os engenheiros puderam eliminar o pesado e complexo mecanismo de ré da caixa de câmbio principal. Isso resultou em uma transmissão mais leve e compacta, o que, por sua vez, permitiu que todo o conjunto do powertrain fosse montado mais baixo no chassi, contribuindo para um centro de gravidade mais baixo e, consequentemente, melhorando a dinâmica do veículo. A tração integral elétrica, portanto, não é apenas um sistema de performance, mas uma peça-chave em uma cadeia de decisões de engenharia que otimiza o peso, o layout e a agilidade do carro de forma integrada.

Modos de Condução (eManettino) e Dinâmica do Veículo

Para gerenciar a complexidade do powertrain híbrido, a Ferrari introduziu o eManettino, um seletor adicional no volante com quatro modos de condução:

  • eDrive: Modo 100% elétrico. O motor V8 permanece desligado, e o carro opera com tração dianteira, ideal para uso urbano silencioso.
  • Hybrid: O modo padrão do carro. A lógica de controle decide autonomamente quando usar o motor a combustão, os motores elétricos ou uma combinação de ambos para otimizar a eficiência.
  • Performance: Mantém o motor V8 sempre ligado. A prioridade aqui é carregar a bateria, garantindo que a potência máxima esteja sempre disponível instantaneamente.
  • Qualify: Libera todo o potencial de 1000 cv. Todos os motores trabalham em sua capacidade máxima para entregar o desempenho absoluto, ideal para voltas rápidas em um circuito.

A dinâmica do veículo é aprimorada pela tração integral sob demanda (e4WD). Os motores dianteiros possibilitam o sistema RAC-e (Regulador de Ângulo de Curvatura, Elétrico), que realiza a vetorização de torque (Torque Vectoring) de forma precisa, controlando independentemente a potência enviada para a roda interna e externa em uma curva. Isso melhora drasticamente a tração na saída das curvas e torna o carro incrivelmente ágil. Todo o sistema é gerenciado pelo eSSC (electronic Side Slip Control), que monitora e ajusta a estabilidade do veículo em tempo real.

Ferrari SF90 Stradale: O Ponto de Partida da Excelência

A versão cupê, a SF90 Stradale, foi o primeiro modelo da família a ser apresentado, estabelecendo as bases de design, aerodinâmica e performance que definiriam toda a linha.

Design e Aerodinâmica Ativa

O design da SF90 Stradale adota uma abordagem "cab-forward" (cabine avançada), que desloca o cockpit para a frente para otimizar o fluxo de ar sobre a carroceria. As proporções foram completamente revistas em relação aos berlinettas de motor central-traseiro anteriores da Ferrari, resultando em uma silhueta mais baixa e agressiva, com a traseira dominada por saídas de escape elevadas.

O elemento aerodinâmico mais inovador é o "shut-off Gurney", um sistema ativo patenteado na traseira. Em vez de uma asa convencional que se eleva, uma seção móvel da carroceria desce para expor um flap Gurney, que altera drasticamente o fluxo de ar. O sistema opera em dois modos:

  • Low Drag (Baixo Arrasto): Em altas velocidades e em linha reta, a seção móvel permanece alinhada com a carroceria, minimizando a resistência ao avanço e permitindo que o carro atinja sua velocidade máxima.
  • High Downforce (Alta Força Descendente): Em frenagens e curvas, a seção desce, criando uma zona de sobrepressão que gera até 390 kg de força descendente a 250 km/h.

Este sistema representa uma filosofia de "aerodinâmica sob demanda". Supercarros tradicionais enfrentam um dilema: uma grande asa fixa gera downforce, mas também cria arrasto constante, o que prejudica a velocidade máxima. O shut-off Gurney da SF90 é uma solução mais inteligente e rápida. Ele permite que o carro mantenha um perfil aerodinâmico "limpo" na maior parte do tempo, otimizando sua velocidade máxima de 340 km/h, e só gera downforce massivo no instante em que a dinâmica do carro exige mais aderência.

Especificações e Performance

Os números de performance da SF90 Stradale são impressionantes:

  • Aceleração: 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e 0 a 200 km/h em 6,7 segundos. Testes independentes realizados por publicações especializadas registraram tempos ainda mais rápidos, como 0 a 60 mph (96 km/h) em apenas 2,0 segundos, um recorde para um carro de produção na época.
  • Velocidade Máxima: 340 km/h (211 mph).
  • Dimensões: Comprimento de 4710 mm, largura de 1972 mm e altura de 1186 mm.
  • Peso: O peso seco é de 1570 kg, resultando em uma excelente relação peso/potência de 1,57 kg/cv.

Interior: A Interface Homem-Máquina (HMI)

O interior da SF90 foi projetado com base na filosofia "olhos na estrada, mãos no volante", derivada da experiência da Ferrari nas corridas. O volante é o centro de controle, com um touchpad e botões táteis que permitem ao motorista operar quase todas as funções do carro sem tirar as mãos dele. O painel de instrumentos tradicional foi substituído por uma única tela HD curva de 16 polegadas, totalmente digital e configurável. No console central, o seletor de marchas automático tem um design em grade que remete às icônicas caixas de câmbio manuais da Ferrari, uma homenagem à tradição em meio a tanta tecnologia.

Ferrari SF90 Spider: Performance a Céu Aberto

Para os clientes que desejam a emoção da condução ao ar livre sem comprometer a performance, a Ferrari lançou a SF90 Spider, a versão conversível do seu hipercarro híbrido.

O Teto Rígido Retrátil (RHT)

A principal característica da Spider é sua capota rígida retrátil (Retractable Hard Top - RHT). O mecanismo, uma especialidade da Ferrari, abre ou fecha em apenas 14 segundos e pode ser operado com o carro em movimento a velocidades de até 45 km/h. O sistema é notavelmente compacto, ocupando apenas 100 litros de espaço, em comparação com os 150-200 litros de sistemas tradicionais. Isso foi possível graças a um redesenho inteligente da linha de separação entre o teto e a carroceria. Um detalhe crucial para os puristas da marca é que o design permite que o motor V8 permaneça visível através da tampa de vidro do motor, mesmo quando a capota está guardada.

Impacto no Peso e Performance

A adição do mecanismo do teto e dos reforços estruturais necessários para manter a rigidez do chassi resulta em um aumento de peso. A SF90 Spider tem um peso seco de 1670 kg, aproximadamente 100 kg a mais que a Stradale.

Apesar do peso extra, a performance da Spider é praticamente idêntica à do cupê. A aceleração de 0 a 100 km/h é mantida nos mesmos 2,5 segundos, enquanto o tempo de 0 a 200 km/h é apenas ligeiramente mais lento, em 7,0 segundos. A velocidade máxima permanece inalterada em 340 km/h. A capacidade de manter o tempo de 0-100 km/h, mesmo com 100 kg a mais, demonstra que o fator limitante para a aceleração inicial não é a potência, mas sim a tração. O sistema de tração integral e a entrega de torque instantânea dos motores elétricos já levam os pneus ao seu limite absoluto de aderência. O powertrain de 1000 cv tem tanta performance "de sobra" que consegue compensar o peso adicional sem penalidade no arranque, um testemunho da magnitude da força disponível.

O Pacote Assetto Fiorano: A Alma das Pistas

Um Pacote Opcional, Não um Modelo Separado

É importante notar que o Assetto Fiorano não é um modelo distinto, mas sim um pacote de equipamentos que aprimora as capacidades do carro para uso em pista. O nome é uma homenagem direta ao circuito de testes privado da Ferrari, a Pista di Fiorano, onde os carros da marca são desenvolvidos e levados ao limite.

Melhorias Específicas

O pacote Assetto Fiorano inclui uma série de melhorias focadas em suspensão, redução de peso, aerodinâmica e pneus:

  • Suspensão: Os amortecedores adaptativos padrão são substituídos por amortecedores passivos Multimatic de alumínio, derivados diretamente da experiência da Ferrari em competições de GT. Eles são otimizados para uso em pista, oferecendo uma resposta mais direta e consistente.
  • Redução de Peso: O pacote reduz o peso do carro em cerca de 21 a 40 kg através do uso extensivo de materiais de alta performance, como fibra de carbono (em componentes como portas e assoalho) e titânio (em molas e no sistema de escape).
  • Aerodinâmica: Um spoiler traseiro de fibra de carbono de maiores dimensões é adicionado para aumentar a força descendente e a estabilidade em altas velocidades.
  • Pneus: O carro vem equipado com pneus Michelin Pilot Sport Cup 2, que possuem um composto de borracha mais macio e um design de banda de rodagem focado em maximizar a aderência em asfalto seco, embora ainda sejam homologados para uso em ruas.

A oferta do pacote Assetto Fiorano é uma decisão estratégica que permite à Ferrari segmentar seu público. A marca reconhece que o mercado de hipercarros não é homogêneo. Existe o cliente que deseja a performance máxima com conforto para o uso diário, que optará pelo SF90 padrão. E existe o entusiasta de "track days", que valoriza o tempo de volta acima de tudo e está disposto a sacrificar o conforto dos amortecedores adaptativos por uma conexão mais pura e focada com o carro. O pacote Assetto Fiorano permite que a Ferrari atenda a esses dois perfis distintos com um único modelo base, maximizando seu apelo de mercado.

O Ápice da Performance: SF90 XX Stradale e XX Spider

Quando a performance da SF90 Stradale com o pacote Assetto Fiorano parecia ser o limite, a Ferrari elevou ainda mais o patamar com as versões XX Stradale e XX Spider, modelos de edição limitada que levam a performance de pista para as ruas.

O Conceito: Um Carro do Programa XX para as Ruas

As versões XX representam um marco: são os primeiros carros do exclusivo "Programa XX" da Ferrari a serem homologados para uso em vias públicas. O Programa XX, historicamente, oferecia a um grupo seleto de clientes carros de performance extrema, não legalizados para as ruas, para serem usados apenas em eventos de pista organizados pela própria Ferrari. A SF90 XX Stradale e a XX Spider quebram essa barreira, trazendo essa filosofia de performance sem compromissos para a estrada.

Aumento de Potência e Lógica "Extra Boost"

O powertrain híbrido foi aprimorado para entregar ainda mais performance.

  • Potência Total: A potência combinada foi elevada para 1030 cv, um aumento de 30 cv em relação ao modelo padrão.
  • Modificações no Motor: O motor V8 agora produz 797 cv, graças a dutos de admissão e escape polidos, novos pistões e uma taxa de compressão mais alta. O sistema de ar secundário foi removido, economizando 3,5 kg no peso do motor.
  • Extra Boost: Uma nova lógica de software, inspirada na Fórmula 1, foi introduzida. Chamada de "Extra Boost", ela fornece um pico de potência extra dos motores elétricos por um curto período na saída das curvas, uma função projetada especificamente para reduzir os tempos de volta.

Aerodinâmica Radical e Design

O visual das versões XX é inconfundivelmente mais agressivo, com modificações focadas em maximizar a performance aerodinâmica.

  • Asa Traseira Fixa: O elemento de design mais marcante é uma grande asa traseira fixa, a primeira a aparecer em uma Ferrari de rua desde a icônica F50 de 1995.
  • Downforce Massivo: O pacote aerodinâmico foi completamente retrabalhado e agora gera o dobro de downforce da SF90 Stradale, atingindo impressionantes 530 kg a 250 km/h.
  • Design: O design incorpora elementos de carros de corrida, como saídas de ar (louvres) nos para-lamas dianteiros e traseiros para aliviar a pressão do ar, e uma traseira com silhueta "long tail" (cauda longa) para melhorar a estabilidade.

Performance e Especificações das Versões XX

O foco extremo na performance de pista resultou em números impressionantes e algumas escolhas de engenharia contra-intuitivas.

  • Aceleração: O tempo de 0 a 100 km/h foi reduzido para 2,3 segundos. O 0 a 200 km/h é feito em 6,5 segundos pela XX Stradale e 6,7 segundos pela XX Spider.
  • Velocidade Máxima: A velocidade máxima foi reduzida para 320 km/h, em comparação com os 340 km/h do modelo padrão.
  • Peso Seco: A XX Stradale pesa 1560 kg (10 kg a menos que a Stradale padrão), enquanto a XX Spider pesa 1660 kg (10 kg a menos que a Spider padrão).

A redução na velocidade máxima ilustra o "paradoxo da performance". Intuitivamente, o modelo mais extremo deveria ser o mais rápido em todos os aspectos. No entanto, a velocidade máxima inferior não é uma falha, mas uma escolha deliberada que revela o verdadeiro propósito do carro. A asa fixa e a aerodinâmica agressiva foram projetadas para uma única métrica: o tempo de volta mais rápido possível em um circuito. O enorme downforce que "cola" o carro ao asfalto em curvas e frenagens também cria um arrasto aerodinâmico significativo, que limita a velocidade em linha reta. A Ferrari conscientemente sacrificou a métrica de "velocidade máxima", que tem grande apelo de marketing, em favor da performance real em pista, um sinal claro de que a linha XX é composta por carros de corrida puristas para a rua.

Produção e Legado: Números e Impacto

A estratégia de produção da linha SF90 diferencia claramente os modelos de série das edições especiais de colecionador, solidificando o legado do carro de maneiras distintas.

Números de Produção: Série vs. Edição Limitada

  • SF90 Stradale e Spider: Estes são modelos de produção em série, sem um número limitado de unidades. A produção ocorreu entre 2019 e 2024. A partir do ano-modelo 2025, a Ferrari descontinuou a produção da versão cupê padrão (Stradale), mantendo apenas a Spider em produção ao lado das versões XX.
  • SF90 XX Stradale: A produção foi estritamente limitada a 799 unidades.
  • SF90 XX Spider: A produção foi ainda mais exclusiva, limitada a 599 unidades.

Todos os exemplares das versões XX foram vendidos para clientes selecionados antes mesmo do início da produção, destacando a enorme demanda por esses modelos especiais.

Tabela Comparativa de Especificações

A tabela abaixo consolida as principais especificações técnicas de todas as variantes da Ferrari SF90, permitindo uma comparação direta.

Característica SF90 Stradale SF90 Spider SF90 XX Stradale SF90 XX Spider
Potência Combinada 1000 cv 1000 cv 1030 cv 1030 cv
Potência V8 780 cv 780 cv 797 cv 797 cv
Torque V8 800 Nm 800 Nm 804 Nm 804 Nm
0-100 km/h 2,5 s 2,5 s 2,3 s 2,3 s
0-200 km/h 6,7 s 7,0 s 6,5 s 6,7 s
Velocidade Máxima 340 km/h 340 km/h 320 km/h 320 km/h
Peso Seco 1570 kg 1670 kg 1560 kg 1660 kg
Aerodinâmica Chave Shut-off Gurney Shut-off Gurney Asa Traseira Fixa Asa Traseira Fixa
Downforce (a 250km/h) 390 kg 390 kg 530 kg 530 kg
Unidades Produzidas Produção em Série Produção em Série 799 599

O Legado da SF90

O impacto da Ferrari SF90 na indústria automotiva é profundo e duradouro. Ela provou conclusivamente que a tecnologia híbrida, quando aplicada com a filosofia da Ferrari, é uma ferramenta para elevar a performance a níveis nunca antes vistos, e não apenas um meio para atingir metas de eficiência e emissões.

A SF90 solidificou a transição da Ferrari para um futuro eletrificado, abrindo caminho para modelos subsequentes que também adotaram a hibridização, como a 296 GTB. Mais importante, ela redefiniu o que se espera de um hipercarro moderno. Ao combinar uma potência avassaladora com sistemas avançados de tração, vetorização de torque e aerodinâmica ativa, a SF90 tornou seus 1000 cv surpreendentemente acessíveis e controláveis, provando que a performance máxima não precisa ser intimidante. Ela não é apenas o carro que levou a Ferrari à era híbrida; é o carro que mostrou ao mundo como a alma de um supercarro pode prosperar nessa nova era.

Dados técnicos baseados em: • Catálogo oficial da montadora • Documentação WLTP / Inmetro quando disponível • Press releases oficiais

Conteúdo editorial produzido por Gabriel Carvalho. | Última revisão: Dezembro/2025.